Ainda é uma incógnita a possibilidade de aliança partidária entre PT e PSDB com o objetivo de fortalecer a pré-candidatura do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ao Palácio das Esmeraldas. Muito se fala sobre o racha que o PT estadual enfrenta, com uma ala mais alinhada a valores definitivamente de esquerda e, por outro lado, um grupo que vê como ideal se aliar com diferentes partidos, inclusive os de centro-direita.
É possível observar outro tipo de divisão no partido, uma vez que há aqueles que defendem a coligação da legenda com o PSDB, a fim de favorecer a pré-candidatura de Marconi no Estado e montar um palanque forte para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará reeleição ao Planalto.
Executiva Estadual do PT durante reunião para discutir nome do pré-candidato a governador em Goiás – Foto: divulgação
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Porém, isso é um desafio para quem deseja unir as legendas com esse fim, pois o ex-governador já reiterou que não apoiará a candidatura do petista para presidente. Em contrapartida, há petistas que não concordam com a ideia de favorecer a disputa de Marconi pelo Palácio das Esmeraldas e, ainda, defendem a definição de um nome próprio para disputar o Governo do Estado.
É o caso da presidente do Diretório Estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, que, por mais que defenda o não alinhamento com o PSDB no Estado, diz acreditar na formação ampla de apoio ao presidente Lula. “Vamos trabalhar para reeleger o presidente Lula, aumentar as bancadas progressistas e, nesse processo, vamos defender as causas que nós acreditamos, como o fim da jornada 6×1, taxar os milionários, sem anistia”, ressalta Adriana.
Deputada federal Adriana Accorsi e presidente Lula durante evento da UNE, em Goiânia – Créditos: Ricardo Stuckert/PR
Segundo a líder do PT goiano, o processo eleitoral de 2026 não é um momento só de ganhar votos, mas de dialogar com a população, defender as pautas a favor dos trabalhadores e convencer a sociedade.
Aliança com adoção do projeto de governo
Durante a recepção do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, que esteve em Goiânia na última quinta-feira (5), um dos pré-candidatos ao governo estadual pelo PT, o advogado Valério Luiz Filho, afirmou ao O HOJE não ser contra a coligação de seu partido com o PSDB, desde que os tucanos estejam de acordo com o projeto de governo pensado pela direção do PT.
“Eu não sou contra nenhum tipo de aliança, desde que elas venham a aderir ao nosso projeto e não nós ao deles. Eu defendo que uma cabeça de chapa seja representada pelo PT, ou seja, o candidato a governador deve ser um nome do PT, para defender inclusive os progressos e avanços sociais do governo Lula e quem quiser vir para apoiar esse projeto, eu considero positivo.”
Presidente estadual do PT, Adriana Accorsi, juntamente com os quatro pré-candidatos a governador de Goiás pela legenda: o vereador Edward Madureira, o ex-deputado Luis César Bueno, o advogado Valério Luis e o jornalista Cláudio Curado – Foto: divulgação
Na sexta-feira (6), a direção estadual do partido publicou uma nota na qual reafirma a ausência de negociação de aliança com o PSDB. “Seguindo orientação do presidente Lula, da direção nacional do PT e do Grupo de Trabalho Nacional, não há negociação de aliança com o ex-governador Marconi Perillo”, informa o documento assinado por Accorsi.
E o PSB?
A vereadora Aava Santiago está em um momento de transição partidária, uma vez que sua filiação no PSB, depois de deixar o PSDB, está marcada para terça-feira (10). O evento contará com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), do presidente nacional do PSB, o prefeito de Recife (PE), João Campos, e da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Aava se apoia na trajetória do vice de Lula, que ajudou a fundar o PSDB, mas se filiou ao PSB para apoiar e compôr chapa com o petista em 2022. “O vice-presidente no PSB é um dos grandes acertos que levaram à eleição e à vitória do presidente Lula em 2022. Ele é vice-presidente do partido e foi ele que sinalizou que gostaria de me receber quando soube que eu iria para a legenda”, explicou Aava em entrevista ao O HOJE.
Aava tratou da chegada ao PSB em encontro com Alckmin, que demonstrou interesse em participar da filiação em Goiânia – Créditos: Danillo Gonçalves Santos
O vereador de Goiânia, Tião Peixoto (PSDB), não mediu palavras ao mostrar o que pensa sobre a aliança de ambos os partidos com o intuito de consolidar a campanha de Marconi. “Eu acho que se o Marconi quiser ganhar as eleições, ele tem que se unir com o PT, porque com a direita ele não pode se unir. Sozinho ele não tem chance nenhuma”, pontua o tucano ao O HOJE. (Especial para O HOJE)










