Oficialmente, a campanha eleitoral em Goiás vai começar em agosto, dia 16 na Internet e nas ruas, dia 28 no rádio e na TV, segundo a Resolução 23.760 do Tribunal Superior Eleitoral do último 2 de março. Na prática, quem deixar suas postagens para essa época vai ser o Rubinho Barrichello das eleições. Não é o caso dos quatro principais grupos da política goiana, três que já apresentaram nomes a governador e um que ainda o fará.
Por enquanto, as alternativas são o governador Daniel Vilela (MDB), que vai à reeleição; o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que tenta o 5º mandato na chefia do Executivo estadual; e o senador Wilder Morais (PL), que vem de bem-sucedidas gestões na iniciativa privada. A esquerda, capitaneada pelo PT, ainda não disse quem será seu representante.
Sem criticá-los individualmente, O HOJE recolheu postagens de participantes das quatro turmas e explica por que suas ideias prestam ou não.
1 – Segurança Pública
Como funcionou o estilo Ronaldo Caiado, ao estimular a linha-dura no trato com eventuais suspeitos de crimes, e até contra autores de atrocidades, os diversos lados estão querendo rachar bandido no meio. É um erro. Essa iniciativa Caiado já tomou. São necessários ações e investimentos de outra monta. As facções estão se diversificando.
Apenas 11% de seu faturamento vem de droga, o restante é tirado de atividade lícita. Polícia patrulhando rua não impede, portanto, 89% da arrecadação das facções. Já que as leis que regem o setor devem ser federais, cabe ao Estado aplicar em tecnologia, não somente para ações cosméticas como um totem aqui, outro acolá, com câmeras, mas com integração total, varredura em 100% das ruas, além de inteligência.
2 – Educação
Outro setor em que Goiás atingiu com Caiado o ápice, chegando a nº 1 do Ideb. O novo governador terá de rever muita coisa para sobrarem recursos e aplicar no ensino técnico e no setor de pesquisa. Na verdade, está completamente exaurido o modelo do MEC. Estudante precisa de currículo enxuto, aprender o que vai usar. O ensino básico está 100% inútil. Para o reformular, serão necessários coragem, base política na Assembleia e dinheiro.
3 – Universidade Estadual de Goiás (UEG)
O que Marconi Perillo criou estava muito bom para o século passado. Atualmente, cheira a mofo. Caiado fez muito bem ao desativar alguns cursos e unidades. É imprescindível continuar o fechamento. A maneira de aproveitar a UEG é transformando-a em provedora de empreendedores qualificados para a cidade e o campo.
Nos lugares com prédios adequados, implantar laboratórios para continuar a modernização. Como ao reformular o ensino médio, vai ser preciso mais que vontade.
4 – Saúde
Outra novidade trazida por Marconi que já deu o que tinha de dar é a Organização Social, a famigerada OS. Terceirização funciona em muitas áreas dos governos, na saúde se relevou uma lástima. A maneira de cuidar da saúde pode ser um misto: a celeridade das compras como na OS e a honestidade que o modelo nem sempre garante.
O novo governador precisa fiscalizar com rigor o uso das unidades de saúde goianas por pacientes de outros lugares, não para evitar o atendimento, mas para receber por ele. Outro sumidouro de dinheiro é a falida receita de superavitar os laboratórios farmacêuticos e outros fornecedores com o populismo, daí todo deputado e prefeito ter as chamadas casas de saúde, eles ganham votos e o Estado perde bilhões.
5 – Emater e Agrodefesa
As duas grandes auxiliares da produção ficaram completamente anacrônicas, pois precisam receber a atenção adequada. Deputado quer indicar um Zé-mané e não tem onde nomear? Manda o inútil para a Emater.
Deveria ser o oposto: ambas precisam das melhores cabeças do Estado. Goiás se tornou uma potência na agropecuária sem contar com o Estado, o investimento veio da Embrapa e, mais ainda, da iniciativa privada.
6 – Rodovias
Há urgência em acabar com a demagogia no sistema rodoviário. O governo precisa duplicar as GOs e não ficar pavimentando pequenos trechos a pedido de deputado. Caiado já deu a senha perto de Rio Verde: fazer menos quilômetros de asfalto, mas todos eles com base em concreto.
7 – Saneago e Equatorial
Outras duas velharias. O anacronismo é tamanho que a empresa de energia depende da exclusividade garantida pelo contrato podre feito na privatização da Celg. O novo governador tem de abrir espaço para as novas energias, da fotovoltaica à de aproveitamento de vísceras.
Os postes das ruas, dos quais a Equatorial se acha dona, são do poder público municipal e por ali devem passar os fios da empresa de energia da cidade, não necessariamente de energia elétrica. A Saneago deve ser privatizada com urgência, para abrir espaço a milhares de empresas com tecnologia avançada e melhores preços. Quem sabe, enfim, se avance a universalização da água e do esgoto tratados.
8 – Detran
Nada existe de mais atrasado do que enfiar a mão no bolso de motoristas e proprietários de veículos. O erro não é do Estado, mas do governo federal com seu antiquíssimo e aparvalhado Denatran. Tudo é caro, burocrático e sem explicação. É muita gente lucrando em cima de muitas vítimas.
Os pátios lotados de motos e carros velhos são o retrato de um Brasil que insiste em continuar na época das carruagens, e Goiás, nos tempos do Expresso Beiçudo, como eram chamadas as carroças.
9 – Servidores e Previdência
Não tem o menor sentido conservar o que nunca deu certo. Como as leis do setor são federais, cabe ao Estado fazer sua parte: quatro anos sem concurso público e com essa economia injetar na previdência. Se for mantido o atual ritmo, há o sério risco de logo não haver condição de pagar a folha, a de ativos e, muito menos, para aposentados e pensionistas.
10 – Tecnologia
Deve ser a palavra de ordem dos investimentos em todas as áreas. Tem de ser o maior programa social do governo, com dinheiro de todo lado. Não adianta dar benefício demagógico agora e negar o futuro.










