A guerra no Irã entrou no nono dia com novos bombardeios sobre Teerã e com o futuro político do país ainda indefinido após a morte do líder supremo, Ali Khamenei. O processo para escolha do sucessor ocorre em meio à ofensiva militar e também a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirma querer influência no cenário político iraniano.
Neste domingo (8), Trump afirmou que o dirigente que assumir o comando do país poderá ter dificuldade para permanecer no cargo se não contar com a aprovação de Washington. A declaração foi feita durante entrevista à emissora ABC News. “Ele vai ter que obter nossa aprovação”, disse o presidente. “Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito”, acrescentou.
A sucessão foi aberta depois que Khamenei morreu em bombardeios contra a capital iraniana no dia 28 de fevereiro. Desde então, a definição do novo líder supremo está nas mãos da Assembleia dos Especialistas, colegiado formado por 88 clérigos responsável por eleger a autoridade máxima do país.
Aiatolá Ali Khamenei, morto em ofensiva conjunta dos EUA e Israel em Teerã (Foto: Reprodução/ @khamenei.ir)
Informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana indicam que o órgão já teria realizado uma votação para definir o sucessor, embora o resultado ainda não tenha sido anunciado oficialmente. Até que a escolha seja formalizada, um conselho interino mantém o funcionamento das instituições do Estado.
Trump rejeita filho de Khamenei como sucessor no Irã
O tema da sucessão passou a ganhar destaque também nas declarações do governo norte-americano. Em entrevista ao site Axios, na quinta-feira (5), Trump afirmou que considera necessário acompanhar de perto a definição do novo líder iraniano e declarou que pretende se envolver pessoalmente na questão.
O presidente criticou a possibilidade de que Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, seja escolhido para o cargo. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto”, afirmou Trump.
Em outra entrevista, concedida à CNN internacional, o presidente afirmou que a principal preocupação dos Estados Unidos não é o modelo político que surgirá no Irã, mas a forma como o novo governo se relacionará com Washington e com seus aliados na região. “Precisa haver um líder que seja justo e correto, que trate bem os Estados Unidos e Israel e também os outros países do Oriente Médio”, declarou.
Relatos citados pela Casa Branca também apontam Mojtaba Khamenei como um dos nomes discutidos no processo sucessório. A porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, afirmou recentemente que informações recebidas por Washington indicam o religioso entre os principais candidatos.
Governo iraniano rejeita pressão dos EUA
No Irã, o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, afirmou que a escolha do novo líder supremo é uma decisão interna e rejeitou qualquer possibilidade de influência externa.
Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da emissora NBC, Araghchi disse que ainda não há definição oficial e que rumores sobre o resultado da votação não podem ser confirmados. “Há muitos rumores circulando, mas precisamos aguardar a Assembleia de Peritos se reunir e votar no novo Líder Supremo”, afirmou.
Questionado sobre as declarações de Trump, o chanceler reiterou a posição do governo iraniano. “Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. Isso é assunto do povo iraniano”, disse.
Enquanto a disputa política segue sem definição pública, os confrontos militares continuam. Autoridades israelenses afirmam ter ampliado os ataques contra alvos na capital iraniana e dizem controlar grande parte do espaço aéreo da região.










