Zohran Mamdani tomou posse na madrugada desta quinta-feira (1º) como prefeito de Nova York, iniciando um mandato de quatro anos que deve ser marcado por embates políticos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Aos 34 anos, o democrata assume o comando da maior cidade do país.
O juramento foi feito pouco depois da meia-noite, em uma cerimônia discreta realizada na antiga estação City Hall do metrô, espaço histórico desativado há décadas e acessível apenas em ocasiões especiais. Mamdani prestou compromisso de respeitar a Constituição dos EUA e as leis do estado de Nova York diante da procuradora-geral Letitia James, aliada política. Para a solenidade, escolheu um exemplar do Alcorão, marcando um dos aspectos simbólicos de sua chegada ao cargo.
Com a posse, Mamdani se torna o primeiro prefeito muçulmano da história da cidade, além de ser o primeiro de ascendência sul-asiática, o primeiro nascido na África e o mais jovem a ocupar o posto. Em um breve discurso, saudou os nova-iorquinos dentro e fora da estação e afirmou que assumir a prefeitura representa “a maior honra e o maior privilégio” de sua vida.
Foto: Reprodução/ NYC Mayor’s Office
Zohran Mamdani
Nascido em Kampala, Uganda, Mamdani é filho da cineasta Mira Nair e do acadêmico Mahmood Mamdani. Mudou-se para Nova York aos 7 anos de idade e cresceu em um período marcado pelas consequências dos ataques de 11 de setembro, quando a comunidade muçulmana enfrentou hostilidade e desconfiança. Ele se tornou cidadão norte-americano em 2018.
Antes de chegar à prefeitura, atuou em campanhas de candidatos democratas e foi eleito, em 2020, para a Assembleia Estadual, representando uma região do Queens. Durante a campanha municipal, construiu sua plataforma em torno de propostas de acessibilidade, como congelamento de aluguéis, transporte público gratuito e ampliação de creches, discurso que mobilizou mais de 2 milhões de eleitores. Mamdani venceu as eleições de Nova York com cerca de 50% dos votos, quase dez pontos percentuais à frente de Andrew Cuomo, candidato independente, e com ampla vantagem sobre o republicano Curtis Sliwa.
Foto: Divulgação/ zohrankmamdani – @karamccurdy/ @strange.victory
Mamdani X Trump
A posse ocorre em meio ao segundo mandato de Donald Trump, que já havia sinalizado resistência à eventual vitória do socialista. Durante a campanha, o presidente ameaçou reter recursos federais da cidade e chegou a cogitar o envio da Guarda Nacional a Nova York. A relação entre o governo federal e a administração municipal tende a ser tensa, especialmente diante das posições ideológicas opostas.
Ao assumir, Mamdani herda uma cidade que apresenta indicadores positivos após a pandemia de Covid-19. Os índices de crimes violentos retornaram aos níveis pré-pandemia, o turismo se recuperou e o desemprego caiu após o pico registrado durante a crise sanitária. Ainda assim, persistem preocupações com a alta dos preços e o aumento dos aluguéis.
Foto: Reprodução/ @zohrankmamdani
Letitia James, responsável por conduzir o juramento, foi uma das primeiras apoiadoras de Mamdani. Durante o primeiro mandato de Trump, ela liderou uma investigação sobre práticas comerciais do então empresário, que resultou, em 2024, em uma decisão judicial apontando fraude na declaração de patrimônio. No atual governo, James passou a ser alvo de acusações por parte da Casa Branca.
A legislação de Nova York determina que os mandatos dos prefeitos tenham início em 1º de janeiro, o que levou à realização da cerimônia discreta logo após a meia-noite. A escolha da estação de metrô como local da posse, segundo a equipe de transição, simboliza o compromisso da nova gestão com os trabalhadores que mantêm a cidade em funcionamento.









