O número de jornalistas mortos no exercício da profissão atingiu o maior número já registrado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Relatório anual divulgado pela organização, nesta quarta-feira (25), aponta que 129 profissionais da imprensa foram assassinados em 2025. Pelo segundo ano consecutivo, o total representa um recorde.
Segundo o levantamento, 86 dessas mortes foram atribuídas a Israel, o equivalente a dois terços do total. A maioria ocorreu na Faixa de Gaza, onde, apesar de um cessar-fogo em vigor, confrontos e bombardeios continuam frequentes. O CPJ afirma que 60% das mortes atribuídas a Israel se deram no território palestino.
A entidade também classificou 47 casos como assassinatos deliberados. Desses, 81% teriam sido cometidos por forças israelenses. O relatório sustenta que o número real pode ser maior, devido às restrições de acesso que dificultam a verificação independente em Gaza.
“O assassinato deliberado de jornalistas por qualquer força militar, que tem a obrigação de proteger civis segundo o direito internacional, constitui um crime de guerra”, diz o documento. Em outro trecho, a organização afirma: “Embora a cobertura de guerras seja inerentemente perigosa, Israel mudou o paradigma ao atacar jornalistas de forma deliberada e ilegal”.
Foto: UNRWA/ Wikimedia Commons
Israel nega ter jornalistas como alvos
O Exército de Israel declarou que suas tropas têm como alvo apenas combatentes e que operações em áreas de conflito envolvem riscos. Em nota, as Forças de Defesa de Israel disseram que “rejeitam veementemente” as conclusões do relatório. “As IDF não prejudicam intencionalmente jornalistas ou seus familiares”, afirmou o comunicado, que também classifica o estudo como baseado em “alegações gerais” e “conclusões pré-determinadas”.
Entre os episódios citados está o bombardeio, em setembro, a um centro de mídia no Iêmen, que matou 31 jornalistas e produtores. O CPJ descreveu o caso como o segundo ataque mais letal já documentado contra profissionais da imprensa. Na ocasião, Israel declarou que o local era ligado aos houthis e o definiu como estrutura de propaganda.










