Declarações do governo dos Estados Unidos sobre um suposto “apagamento civilizacional” na Europa provocaram reação de líderes do bloco durante a Conferência de Segurança de Munique. A avaliação consta na estratégia de segurança nacional divulgada por Washington em dezembro de 2025 e foi contestada por representantes europeus.
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, rejeitou neste domingo (15), a leitura apresentada pelos EUA e afirmou que o continente segue comprometido com direitos humanos, prosperidade e cooperação internacional. Em seu discurso, ela citou diretamente a expressão utilizada no documento americano e rebateu o diagnóstico. “Contrariamente ao que alguns dizem, essa Europa ‘woke’ e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”, declarou. “Na verdade, as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube — e não apenas outros europeus”, afirmou Kallas.
O texto estratégico norte-americano sustenta que a Europa estaria sendo impactada por estagnação econômica e por fatores como políticas migratórias, queda nas taxas de natalidade, suposta censura à liberdade de expressão, repressão à oposição política e perda de identidades nacionais. Para Kallas, as acusações não refletem a realidade do bloco. Ela afirmou ainda que, em visita ao Canadá no ano passado, ouviu de cidadãos interesse em aderir à União Europeia.
Crítica de Kallas acontece após participação de Marco Rubio na conferência
As críticas foram discutidas um dia após a participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no mesmo evento. Embora tenha adotado tom menos agressivo do que o vice-presidente J.D. Vance em edição anterior da conferência, Rubio reafirmou que Washington pretende reformular a aliança transatlântica e priorizar suas próprias políticas.
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Durante sua fala, Rubio declarou que o fim da era transatlântica “não é objetivo nem desejo” dos Estados Unidos. “Nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”, disse. Apesar da sinalização, indicou que o governo do presidente Donald Trump manterá posições firmes em temas que concentram divergências recentes entre os dois lados.









