A escalada nas tensões entre Irã e Estados Unidos ganhou força ao longo do fim de semana, após declarações de ambos os lados envolvendo o Estreito de Ormuz e possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana. Neste domingo (22), o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã afirmou estar pronto para “fechar completamente” a passagem marítima caso o presidente norte-americano, Donald Trump, cumpra a ameaça de bombardear usinas de energia do país.
A declaração foi apresentada como resposta direta ao posicionamento de Trump, que no sábado (21) afirmou que ordenaria ataques à infraestrutura energética iraniana se a passagem estratégica não estiver totalmente aberta dentro de “48 horas”. O prazo, segundo a publicação, se estenderia até a noite de segunda-feira (23), no horário de Brasília.
“Se o Irã não abrir completamente, sem ameaças, o Estreito de Ormuz dentro de 48 horas a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atacar e obliterar várias de suas usinas de energia, começando pela maior delas!”, escreveu o republicano.
Diante do ultimato, militares iranianos indicaram que qualquer ofensiva contra suas instalações resultará no bloqueio total do Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas do comércio global de petróleo. Segundo o comunicado, a reabertura só ocorreria após a reconstrução das usinas atingidas. O texto também amplia o alcance das possíveis retaliações ao incluir alvos fora do território iraniano.
“As usinas de energia de países da região que abrigam bases americanas serão alvos legítimos para nós”, afirmou o quartel-general, acrescentando que infraestruturas de energia e comunicações de Israel, além de “empresas similares na região com acionistas americanos”, também poderiam ser atingidas.
No campo político, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, reforçou o tom das ameaças ao declarar que instalações estratégicas no Oriente Médio poderão ser “irreversivelmente destruídas” em caso de ataque às usinas do país. Em publicação no X, ele afirmou: “Imediatamente após o ataque a usinas de energia e infraestruturas em nosso país, as infraestruturas vitais — incluindo energia e petróleo — em toda a região serão consideradas alvos legítimos e serão destruídas de forma irreversível, e o preço do petróleo aumentará por um longo período”.
Quarta semana de conflito
A escalada ocorre em meio a um cenário de confrontos intensificados. O sábado marcou o início da quarta semana da guerra no Oriente Médio, com ataques iranianos atingindo cidades israelenses. Mísseis balísticos alcançaram Arad e Dimona, no sul de Israel, deixando mais de 100 feridos e provocando o fechamento de escolas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o episódio como uma “noite muito difícil” e afirmou que o país manterá a ofensiva. “Estamos determinados a continuar atacando nossos inimigos em todas as frentes”, escreveu.
Premiê israelense promete continuar ofensiva após ataques iranianos (Foto: Divulgação/ Casa Branca)
Estreito de Ormuz segue aberto
Enquanto as ameaças se multiplicam, autoridades iranianas também buscam sustentar um discurso diplomático. O representante do país na Organização Marítima Internacional, Ali Mousavi, afirmou que o Estreito de Ormuz segue aberto à navegação, com exceção de embarcações ligadas aos “inimigos do Irã”. Segundo ele, a segurança marítima tem sido mantida por meio de coordenação com Teerã.
“A diplomacia continua sendo a prioridade do Irã. No entanto, a cessação completa da agressão, bem como a confiança mútua, são ainda mais importantes”, declarou Mousavi, atribuindo aos ataques israelenses e norte-americanos a origem da crise atual.










