Policiais militares do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) resgataram uma adolescente de 16 anos que, segundo investigações, viveu aproximadamente dois anos em cárcere privado no Setor Leste Vila Nova, em Goiânia. A jovem conseguiu fugir e pediu ajuda de uma vizinha, que acionou o pai que mora no Entorno do Distrito Federal. Em flagrante, foram presos a mãe da menina, o padrasto e uma terceira mulher que formavam o chamado “trisal”.
De acordo com o boletim da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO), a adolescente estava sendo mantida numa área de lavanderia nos fundos da casa — o espaço, de restrição, apresentava sinais de desnutrição e ferimentos pelo corpo. Peritos constataram agressões com fios de energia, pedaços de madeira e até queimaduras de cigarro. Se não realizasse os serviços domésticos exigidos, ela ficava sem alimentação por até três dias.
O pai da adolescente relatou que há meses não tinha notícias da filha, já que havia sido bloqueado das redes sociais e outros meios de contato. Ao tentar contato telefônico e via redes sociais, era informado pela mãe de que “ela estava bem”.
Agressões contra a adolescente
A conselheira tutelar designada para o caso descreveu uma rotina de castigos severos: a vítima era obrigada a passar a noite ajoelhada, sem poder tomar banho, entre outras imposições de agressão psicológica e física. A fuga só foi possível porque uma escada foi deixada no local onde ela estava confinada — ela a usou para ultrapassar a concertina do muro e alcançou a rua, onde pediu por ajuda.
De acordo com a polícia, imagens encontradas no celular da mãe mostram marcas das agressões, incluindo vergões e cicatrizes distribuídas pelo corpo da menina.
A jovem foi encaminhada ao Hospital Estadual da Mulher (HEMU) e ao Instituto Médico‑Legal de Goiás (IML) para exames e laudos.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM), que apura os três suspeitos pela prática dos crimes de cárcere privado, tortura e maus-tratos à menor.
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