A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que investigava as mortes do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, e dos filhos Miguel Araújo Machado, de 12, e Benício Araújo Machado, de 8. O caso foi classificado como duplo homicídio seguido de suicídio. O crime ocorreu na noite de 11 de fevereiro, no condomínio onde a família morava.
Segundo a investigação, os dois meninos foram atingidos enquanto dormiam. A informação foi detalhada pelo delegado Felipe Soares Sala, responsável pelo inquérito. “Não há indícios de reação das crianças. Tudo indica que estavam deitadas e dormindo no momento dos disparos”, afirmou.
Miguel morreu no dia seguinte ao crime. Benício chegou a ser internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara, mas não resistiu e morreu no dia 13 de fevereiro.
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Linha do tempo reconstruída pela polícia
A Polícia Civil identificou que Thales apresentou comportamento considerado atípico ao longo do dia. Durante a tarde, ele procurou uma pessoa próxima à família e fez questionamentos sobre a ex-companheira, Sarah Araújo, que estava em São Paulo. Ele também havia contratado um detetive particular para monitorar a rotina dela.
Às 19h, o detetive informou que havia conseguido imagens de Sarah com outro homem. O material, no entanto, foi enviado apenas às 22h50. Antes disso, às 18h03, Thales ligou para os pais para marcar um jantar. Ele esteve na casa deles entre 19h10 e 20h10. Em depoimento, os pais relataram à polícia que perceberam no encontro um “tom de despedida” e “um carinho a mais”.
Depois de sair da casa dos pais, Thales foi a um posto de combustíveis. Registros mostram que ele chegou ao local às 20h13 e comprou quatro galões de gasolina. O frentista afirmou que ele aparentava estar “atordoado” e “nervoso” e errou a senha do cartão diversas vezes antes de pagar via Pix. Os dois filhos estavam no carro e, segundo a investigação, apresentavam comportamento normal.
Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada ao condomínio às 20h25. Entre 20h39 e 23h36, Thales tentou contato com a ex-companheira diversas vezes. Às 20h39, o casal realizou uma última chamada de vídeo. De acordo com a polícia, a conversa foi tensa e incluiu ameaças. Após a ligação, Sarah deixou de atender às chamadas.
Mensagens e provas digitais indicam planejamento
Às 23h39, Thales publicou em uma rede social uma foto com os filhos acompanhada de um texto interpretado pelos investigadores como uma despedida. Minutos antes, ele havia enviado à mãe das crianças uma imagem dos meninos já na cama, com ameaças. Para o delegado, o material demonstra premeditação. “Ele enviou a foto dos filhos na posição exata em que seriam atingidos em seguida”, disse.
A linha do tempo indica que os crimes ocorreram em um intervalo aproximado de 25 minutos. Às 23h36, ele tentou ligar pela última vez para a ex-companheira. Três minutos depois, publicou a mensagem nas redes sociais. A postagem foi apagada menos de dez minutos depois.
O prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, pai de Sarah e sogro de Thales, foi uma das pessoas que chegaram à residência após o ocorrido e encontraram o secretário morto e as crianças feridas.
A perícia apontou que a arma usada foi uma pistola Glock G25 calibre .380, registrada em nome de Thales. Um isqueiro foi encontrado ao lado da cama, mas não foi acionado. A análise do local não identificou a presença de terceiros.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil sugeriu o arquivamento do caso pela extinção da punibilidade devido à morte do autor. O procedimento será encaminhado ao Poder Judiciário. Os velórios ocorreram na casa do avô das crianças.









