As chuvas da última quarta-feira (21), em Goiânia, causaram transtornos imensuráveis para moradores do Jardim Curitiba 4. Durante a noite, casas que estavam próximas ao Córrego do Fundo desabaram e a área foi interditada pela Defesa Civil.
Os moradores agora estão desabrigados e precisam do apoio de vizinhos e familiares. Antônia Pereira de Souza, proprietária de uma das casas que desmoronaram, relata que após a interdição das casas ela não pode mais retirar nenhum objeto de casa. “Minhas coisas estão na casa de vizinhos e na casa da minha filha”, lamenta.
De acordo com os relatos, por volta das 23h a chuva se intensificou na região, por conta disso, o córrego teve um aumento no volume e o solo embaixo das casas cedeu. “Foi por volta das 23h20. Eu já estava dormindo quando escutei o barulho das coisas caindo, depois disso eu abri a porta de casa e vi o carro caído lá embaixo”, relembra Itamara Barbosa, outra moradora que teve sua casa atingida pela desmoronamento do córrego.
As moradoras explicaram para a reportagem que moram há mais de 15 anos naquela localidade e nunca presenciaram nada parecido. “A gente mora há 16 anos. Nunca aconteceu isso aqui, foi a primeira vez. Nós estamos assustados e queremos uma resposta sobre o que aconteceu aqui”, disse Antônia Pereira.
Duas casas completamente destruídas
De acordo com dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), Goiânia acumulou 338 milímetros de chuva até as 12h da última quinta-feira (22). A Defesa Civil de Goiânia informou que duas residências foram completamente destruídas com o desabamento, enquanto outras duas, localizadas nas proximidades, precisaram ser interditadas de forma preventiva devido ao risco de novas ocorrências.
O Córrego do Fundo abarca 7 bairros da região noroeste de Goiânia, de acordo com a Defesa Civil, além do Jardim Curitiba 4, outras duas ruas na Vila Finsocial também correm risco. De acordo com documento da Defesa Civil, o córrego transborda por cima do asfalto das ruas VF-88 e VF-82, gerando riscos para a população que ali reside. Também na pesquisa feita pelos profissionais foi encontrado lixo no leito do corpo d’água, próximo a pontes com manilhas no Finsocial, agravando ainda mais a situação.
Na quinta-feira (22), após os acontecimentos no Jardim Curitiba 4, equipes da Prefeitura de Goiânia, da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), da Defesa Civil Municipal, da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e da Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária (Habitação), estiveram no local para realizarem atendimentos e prestarem assistência às vítimas.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Goiânia, Robledo Mendonça, as primeiras ações foram acolher as famílias e retirar o veículo que caiu com o desmoronamento.
Entre as ações divulgadas pela prefeitura, foram entregues agasalhos, cestas de alimentos, refeição, água e oferta de abrigo nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), além de atualização do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e inclusão no programa Aluguel Social, da Agência Goiana de Habitação (Agehab).
Moradores reclamam de ação insuficiente da prefeitura
Porém, de acordo com moradores, as ações realizadas pela prefeitura não supriram as necessidades desse momento, chegando a relatar problemas com a comida oferecida pela prefeitura. “A prefeitura queria tirar a gente de uma hora pra outra e jogar a gente num abrigo. E as coisas não são bem assim, nós compramos e pagamos por esses terrenos. E agora estamos sem assistência nenhuma”, relata Itamara Barbosa.
Itamara também contou para a reportagem que a prefeitura trouxe marmitas estragadas e algumas cestas básicas. “Veio um representante da prefeitura falando que poderiam nos dar três meses de aluguel e não garantiriam nada depois disso”, completa. Além disso, a moradora disse que foram inscritos em um programa de habitação, porém foi dito que ainda não há casas disponíveis no momento.
Em nota enviada ao O HOJE, a Semasdh informou que “desde o registro da situação esteve presente na região, levando serviços essenciais voltados à garantia de direitos, proteção social e inclusão em programas e benefícios sociais. As equipes realizaram atendimentos e orientações sobre os serviços ofertados pelos CRAS, ações do Cadastro Único (CadÚnico), com novos cadastros e atualizações, além de levantamento socioeconômico das famílias atingidas para os encaminhamentos necessários.”
Também foram realizados os cadastros e avaliações para Benefícios Eventuais, inscrições e entrega de cestas básicas, além de orientações e encaminhamentos para o Aluguel Social do Governo do Estado, por meio da AGEHAB. De acordo com a pasta, as ações seguem com o objetivo de assegurar atendimento imediato e fortalecer o acesso das famílias aos direitos e serviços públicos.
Já a Seinfra informou por nota que irá realizar a recomposição do solo levado pela água da chuva na Rua do Retiro. No entanto, este trabalho só será feito após o período de chuva, pois, de acordo com a secretaria, garantirá uma melhor compactação e evitará o risco de novas erosões provocadas pela atuação das máquinas.
Enquanto as obras de recomposição não começam, a Seinfra destacou que intensificaram a limpeza das bocas de lobo nas ruas próximas, visando melhorar o funcionamento da rede de drenagem da região.
Moradores acusam Saneago de ser responsável pelo desabamento
Obras da Saneago foram realizadas na área; companhia nega relação – Foto: Divulgação/Defesa Civil de Goiânia
Os moradores apontaram que nunca havia acontecido nada parecido na região antes e se queixaram que essa situação aconteceu após uma obra da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), realizada em 2025.
“Ano passado eles abriram de fora a fora a nossa rua e não fizeram o trabalho completo. Eles falaram que iam fazer um esgoto e não tem esgoto nenhum aqui. O que eles fizeram foi deixar o cano vazando e a tragédia que aconteceu aqui foi devido a isso”, relatou Itamara. De acordo com a moradora, equipes da Saneago estiveram no local, mas não responderam perguntas e foram embora.
Em nota enviada, a Saneago diz que não possui responsabilidade pelos danos causados e que a rede de abastecimento, apontada como uma das causas pelos moradores, foi danificada no deslizamento, sem qualquer relação com o deslizamento.
Além disso, a companhia confirmou que fez obras em adutoras na região, mas que estão a 500 metros do local. “Sendo assim, o traçado da adutora está distante da rua e das residências danificadas pelas chuvas. Além disso, a referida adutora ainda está sem carga d’água. Ou seja, não há qualquer correlação da Saneago com os danos”, finaliza a nota.
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