Uma confusão de trânsito ocorrida na última terça-feira (26) resultou na prisão controversa de um motorista de caminhão. No dia em questão, houve um desentendimento entre o homem e o filho de um comandante da Guarda Civil Municipal (GCM). Nesse contexto, a GCM autuou o motorista por desacato a autoridade, resistência à prisão e fuga, o que resultou na prisão em flagrante do suspeito.
Confusão no trânsito
Em relato, a irmã do homem que supostamente resistiu à prisão, revelou detalhes do ocorrido. Segundo ela, o incidente ocorreu quando o motorista do caminhão, de 30 anos, estava terminando seu turno de trabalho quando, ao passar por uma rótula, um carro o interceptou repentinamente. Com isso, o irmão buzinou e, logo após, o motorista do carro reagiu de modo agressivo, segundo a mulher.
“Desceu um rapaz xingando todos os nomes possíveis e imagináveis. Falou que ia no carro, que ele tava armado, que ia pegar a arma. Ele foi no carro, e quando voltou, entrou com a mão dentro da cabine do caminhão e deu um murro no meu irmão”, conta a mulher. Logo após, segundo ela, o irmão desceu, e nesse momento chegou uma viatura da GCM. Após intervenção dos agentes, o motorista do caminhão foi preso em flagrante.
“Montaram um processo, falaram que ele desceu do caminhão com uma faca, que ele correu dois quarteirões… é tudo mentira. Meu irmão não resistiu, só falou que não queria ser algemado porque não era bandido”, relata a mulher. Segundo ela, após o ocorrido ela e a família decidiram pesquisar sobre o motorista do carro, e assim descobriram que ele era filho de um comandante da GCM.
Prisão controversa
O advogado da família, Ronaldo David Guimarães, afirma que solicitará um habeas corpus no plantão do Tribunal de Justiça, pois, segundo ele, é cabal o excesso de autoridade e o abuso de poder. “Mesmo que ele tenha cometido os crimes que são narrados, ele nunca responderá por uma pena em regime fechado, isso se ele não for absolvido. Não existe nenhuma excepcionalidade na lei para manter esse homem na cadeia”, explica o advogado.
Em fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal decidiu que é constitucional a criação de leis pelos municípios para que guardas municipais atuem em ações de segurança urbana. Em entrevista ao O HOJE, o advogado da família fez referência à decisão oficial, e afirma que, desde então, os agentes da GCM agem como agentes policiais mesmo sem receber o treinamento proporcional à função. “Pretendo provar na instrução de que essa prisão é resultado da falta de treinamento dos guardas municipais”, pontua o advogado.
O HOJE entrou em contato com a Guarda Civil Metropolitana de Aparecida de Goiânia e a Polícia Civil em busca de um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.
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