O estado de Goiás tornou-se o epicentro de uma disputa geopolítica global entre as maiores potências econômicas do planeta, Estados Unidos, União Europeia e China. O foco do conflito são as jazidas de terras raras, componentes minerais fundamentais para a fabricação de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais desses minerais estratégicos, sendo que uma parte significativa está localizada em solo goiano.
Monopólio chinês sob as terras raras
Estratégias para romper o monopólio chinês atualmente, a China exerce um domínio de aproximadamente 70% da produção global de terras raras e controla quase toda a cadeia de refino. Para mudar esse cenário, Washington e Bruxelas buscam alternativas para garantir o suprimento dessas matérias-primas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já anunciou negociações para investimentos conjuntos no Brasil, com foco em minerais como terras raras, lítio e níquel. Além disso, a União Europeia promete o diferencial de processar os minerais em território brasileiro e gerar empregos locais.
Os Estados Unidos, por sua vez, têm adotado uma abordagem mais direta nos bastidores, com representantes demonstrando interesse em depósitos ainda não explorados em Goiás. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, inclusive esteve recentemente nos EUA para discutir o tema de minerais críticos. Como vantagem competitiva, os americanos oferecem agilidade no financiamento de projetos.
Investimentos e Visão Industrial Brasileira A corrida pelo minério já reflete em números expressivos: nos últimos dois anos, projetos brasileiros de terras raras atraíram cerca de US$ 700 milhões em financiamento, majoritariamente de investidores ocidentais. A China também mantém sua presença ativa, tendo destinado US$ 556 milhões ao setor mineral brasileiro em 2024.
O governo brasileiro compartilha o interesse em desenvolver uma indústria local, defendendo a criação de refinarias nacionais. O objetivo é evitar que o país atue apenas como exportador de matéria-prima bruta, agregando valor ao produto em solo nacional. Autoridades americanas indicaram que o Brasil pode ser um aliado estratégico no modelo de friendshoring, que privilegia o comércio entre países aliados.
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