O Brasil pode enfrentar um cenário de calor ainda mais intenso a partir de 2026, segundo alerta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Em nota técnica, o órgão aponta risco de um possível “desastre térmico”, impulsionado pela alta probabilidade, estimada em 80%, de formação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico.
De acordo com o relatório, o fenômeno climático tende a prolongar e intensificar as ondas de calor em diferentes regiões do país, especialmente a partir do segundo semestre de 2026. O alerta ocorre em um contexto de aumento contínuo das temperaturas globais, com a última década sendo a mais quente já registrada.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, o que interfere na circulação atmosférica em escala global. No Brasil, os efeitos costumam incluir mudanças no regime de chuvas: enquanto a região Sul pode registrar aumento de precipitações, o Norte tende a enfrentar períodos de seca. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, há maior frequência e duração de massas de ar quente.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o comportamento dos chamados ventos alísios é determinante para a configuração do fenômeno. Quando esses ventos enfraquecem, a água quente permanece concentrada na superfície do oceano, intensificando o aquecimento. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais reforça que essa alteração impacta diretamente os padrões de umidade e a distribuição das chuvas em diversas partes do mundo.
Outro ponto de preocupação destacado pelos especialistas é a elevação das temperaturas mínimas. As noites mais quentes dificultam a recuperação do organismo após o calor intenso durante o dia, o que pode aumentar os riscos à saúde, especialmente relacionados a problemas respiratórios e cardiovasculares.
Os impactos potenciais do chamado “desastre térmico” vão além da saúde pública. Há previsão de aumento nas internações por desidratação e estresse térmico, prejuízos à agricultura com quebra de safras, maior risco de queimadas em áreas de vegetação seca e efeitos econômicos, como queda na produtividade e elevação do custo de vida.
Diante do cenário, especialistas alertam para a necessidade de monitoramento constante e adoção de medidas preventivas, tanto por parte do poder público quanto da população, para reduzir os efeitos das altas temperaturas previstas.










