O mercado de cosméticos em versões mini deixou de ser um nicho restrito a produtos de viagem para se tornar uma frente estratégica de crescimento da indústria global de beleza. Impulsionado pela mudança nos hábitos de consumo, pela ascensão da Geração Z e pela expansão do travel retail, o segmento vem registrando desempenho acima da média do setor. Nos Estados Unidos, as vendas de cosméticos mini cresceram 13% em 2025, segundo dados da consultoria Circana, sinalizando a consolidação do formato como um modelo de negócio recorrente.
Consumo jovem impulsiona novos formatos
A preferência por produtos compactos, acessíveis e fáceis de transportar reflete uma transformação no comportamento dos consumidores mais jovens. Para a Geração Z, o valor está menos associado ao tamanho do produto e mais à possibilidade de experimentar, alternar marcas e testar lançamentos sem o compromisso financeiro dos tamanhos tradicionais. Nesse contexto, os cosméticos mini funcionam como porta de entrada para novas marcas e linhas, além de estimularem compras por impulso e recorrência no ponto de venda.
Esse movimento tem levado grandes redes especializadas a ampliar de forma permanente seus portfólios de produtos em tamanho reduzido. Nos Estados Unidos, redes como a Ulta Beauty expandiram as áreas dedicadas a itens em tamanho viagem e versões de descoberta. Na Europa, a estratégia também ganha força, com a Sephora reforçando esse tipo de sortimento em diferentes mercados, integrando os minis às prateleiras regulares e não apenas a espaços promocionais.
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Reino Unido registra crescimento acima da média
No Reino Unido, o desempenho do segmento chama atenção. Em 2025, a varejista Superdrug registrou um crescimento de 54% nas vendas de sua linha Mini Studio na comparação anual, alcançando um faturamento de £211 mil. O resultado evidencia que o avanço dos cosméticos mini não está restrito a mercados específicos ou a momentos sazonais, mas se conecta a uma lógica mais ampla de consumo orientada por conveniência, preço e experimentação.
Além do uso em viagens e no cotidiano urbano, os produtos em tamanho reduzido têm se consolidado como alternativa para presentes acessíveis, kits promocionais e lançamentos sazonais. Em datas comemorativas, o formato permite ampliar o alcance do consumidor, oferecendo preços mais baixos e maior variedade de itens em uma única compra.
Inovação em embalagens sustenta a expansão
A evolução do segmento tem sido acompanhada por investimentos em inovação de embalagens, que buscam equilibrar funcionalidade, estética premium e praticidade. No final de 2025, a empresa Asquan lançou a linha Makeup Minis, com versões ultracompactas de produtos labiais, como glosses, balms e tints, além de tubos pequenos com aplicadores de precisão para cremes e bálsamos. A proposta é manter a experiência de uso dos tamanhos tradicionais em formatos reduzidos, sem perda de performance ou apelo visual.
A Cosmogen, especializada em soluções de embalagem, desenvolveu formatos personalizados de batons mini para marcas de prestígio do grupo L’Oréal, como Valentino Beauty, Lancôme, YSL Beauty, Armani Beauty e Prada Beauty. Paralelamente, a empresa passou a oferecer um modelo mini padronizado, com capacidade de 1,4 grama, voltado a marcas independentes que buscam reduzir custos, encurtar prazos de lançamento e manter consistência industrial.
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Travel retail e e-commerce ampliam alcance do segmento
O crescimento dos cosméticos mini também é impulsionado pela diversificação dos canais de venda. O travel retail, especialmente em aeroportos e lojas duty free, segue como um dos principais vetores do segmento, ao combinar fluxo elevado de consumidores com apelo a novidades e edições limitadas. Ao mesmo tempo, o e-commerce e os canais diretos ao consumidor ampliam o alcance dos produtos, oferecendo kits exclusivos, coleções temáticas e estratégias de experimentação digital.
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Estimativas do setor indicam que o mercado global de cosméticos mini voltados a viagens movimentou cerca de US$ 7,8 bilhões em 2024, com expectativa de crescimento anual médio de 7,2% até 2033. Mais do que um formato funcional, os minis se consolidam como ferramenta estratégica para ampliar acesso a produtos premium, fortalecer o relacionamento com consumidores jovens e sustentar novas dinâmicas de crescimento na indústria da beleza.
Outro fator que reforça a expansão dos cosméticos mini é o interesse crescente das marcas em reduzir barreiras de entrada para o consumidor em um cenário de inflação persistente e maior seletividade nas compras. Com preços unitários mais baixos, os formatos reduzidos permitem que o consumidor experimente produtos de categorias premium sem comprometer o orçamento, ao mesmo tempo em que ampliam o tíquete médio por meio da compra combinada de múltiplos itens. Para as empresas, o modelo também funciona como ferramenta de marketing e pesquisa de mercado, ao testar aceitação de cores, texturas e fórmulas antes de lançamentos em escala maior, reduzindo riscos comerciais e desperdícios na cadeia produtiva.









