Dois pacientes em estado grave tiveram a vida salva após passarem por procedimentos cardíacos inéditos na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. As cirurgias ocorreram na última quinta-feira (2) e utilizaram válvulas cardíacas avaliadas em mais de R$ 80 mil cada, viabilizadas por meio de doações de empresas parceiras.
Os pacientes chegaram à unidade por meio da regulação estadual, ambos com quadro de insuficiência cardíaca avançada e risco iminente de morte. Diante da gravidade, a equipe médica optou pela realização do implante de válvula aórtica por cateter (TAVI), técnica minimamente invasiva indicada para casos de alto risco cirúrgico.
Segundo o cardiologista intervencionista Walter Beneduzzi Fiorotto, responsável pelos procedimentos, a decisão foi imediata. “Eram pacientes que não suportariam uma cirurgia convencional. O TAVI foi essencial para garantir a sobrevida”, destacou.
Sem oferta regular desse tipo de intervenção pelo SUS em Goiás, as cirurgias foram realizadas em caráter excepcional. O uso de próteses previamente doadas foi determinante para que os procedimentos ocorressem a tempo.
A superintendente-geral da unidade, Irani Ribeiro, ressaltou o impacto da iniciativa. “Trata-se de um procedimento de alta complexidade e custo elevado, ainda não disponível de forma contínua na rede pública do estado. Conseguir realizá-lo em tempo oportuno demonstra o compromisso com a vida”, afirmou.
Atualmente, o acesso ao TAVI no estado ainda é restrito, principalmente devido ao custo das próteses e à falta de centros habilitados. A Santa Casa aguarda há mais de dois anos a autorização para oferecer o procedimento de forma contínua pelo SUS. A ausência dessa estrutura pode levar à demora no atendimento ou à necessidade de transferência de pacientes para outras regiões.
Cirurgias inéditas salvam pacientes em estado grave na Santa Casa de Goiânia. Foto: Divulgação
Cirurgias inéditas salvam pacientes: O que é o TAVI?
O TAVI é um procedimento minimamente invasivo utilizado no tratamento da estenose aórtica grave, condição caracterizada pelo estreitamento da válvula que controla a saída de sangue do coração. A técnica consiste na introdução de um cateter, geralmente pela artéria femoral, que conduz a prótese até o local afetado, sem necessidade de abrir o tórax.
Entre as vantagens estão a recuperação mais rápida, menor tempo de internação e alta hospitalar em até 48 horas em muitos casos. O método é indicado principalmente para idosos ou pacientes com outras doenças associadas.
Cenário no Brasil
Embora o TAVI tenha sido incorporado ao SUS em 2021, com atualização das diretrizes em 2024, o acesso ainda é limitado. Em 2025, cerca de 5 mil procedimentos foram realizados no país, número considerado baixo quando comparado a regiões como Europa e Estados Unidos. Entre os principais entraves estão o alto custo da tecnologia e a necessidade de ampliar o número de unidades habilitadas.
Em Goiás, ainda não há centros credenciados para a realização regular do procedimento pelo SUS.
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