A Prefeitura de Caldas Novas decretou situação de calamidade pública após o avanço expressivo dos casos de chikungunya em 2026. O município concentra aproximadamente 96% das confirmações da doença em Goiás neste ano, conforme dados atualizados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O crescimento acelerado das notificações pressionou o sistema de saúde local e levou o poder público a ampliar as ações emergenciais de enfrentamento ao Aedes aegypti.
Dados atualizados repassados ao jornal O HOJE mostram que o município registrou 51 novos casos desde a última atualização da matéria, publicada na quarta-feira (25). Até a tarde desta sexta-feira (27), o balanço aponta 2.738 casos notificados e 1.220 casos confirmados de chikungunya em 2026, conforme os números mais recentes divulgados pelas autoridades de saúde.
Até o momento, não há mortes confirmadas pela doença em Goiás, mas três óbitos seguem em investigação. O decreto municipal considera tanto o volume expressivo de casos quanto a sobrecarga nas unidades de saúde, que passaram a atender um número elevado de pacientes com febre alta e dores intensas nas articulações — sintomas característicos da chikungunya.
Caldas Novas decreta calamidade após surto de chikungunya e concentra 83% dos casos em Goiás – Foto: Divulgação/SES-GO
Diante do cenário, Estado e Município organizaram uma força-tarefa que inclui mutirões de limpeza, eliminação de criadouros, aplicação de inseticida em áreas estratégicas e reforço no atendimento médico. A superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, reforçou que o controle da doença depende essencialmente do combate ao mosquito transmissor. “Não temos vacina disponível. A única forma de controle é reduzir criadouros e impedir a proliferação do Aedes aegypti”, destacou.
Além das ações tradicionais, Caldas Novas tornou-se a primeira cidade goiana a implantar 2 mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia voltada à redução da população do mosquito. As armadilhas começaram a ser instaladas em bairros como Santa Efigênia, Parque Real, Nova Vila e Caldas do Oeste — regiões com maior número de notificações.
O equipamento funciona atraindo o mosquito, que entra em contato com o larvicida e acaba transportando o produto para outros criadouros, ampliando o alcance da estratégia de controle.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Wiris Marcos Arantes, fatores como altas temperaturas, aumento das chuvas e baixa conscientização da população contribuíram para o crescimento dos casos. Ele afirma que 98% dos focos do mosquito são encontrados dentro dos próprios quintais. “A variação climática favorece a reprodução do Aedes aegypti, mas a eliminação dos criadouros depende diretamente da colaboração da população”, ressaltou.
Somente neste início de ano, mais de 27 mil imóveis já receberam visitas de agentes de combate às endemias. O município também ampliou a estrutura de atendimento. Além da UPA e do Hospital de Retaguarda, todas as unidades básicas de saúde passaram a atender casos suspeitos de arboviroses. Foi criada ainda uma Central de Atendimento específica para dengue e chikungunya na ESF do Recanto dos Eucaliptos, com funcionamento diário das 7h às 19h.








