O conceito de cidade policêntrica — amplamente adotado em países europeus — vem ganhando forma em Goiânia e na Região Metropolitana nos últimos anos. A proposta, baseada na descentralização de serviços e equipamentos urbanos, já se reflete no cotidiano de moradores de diferentes regiões, com a presença crescente de escolas, unidades de saúde, farmácias e comércios próximos às áreas residenciais, reduzindo deslocamentos e pressionando menos o sistema viário da capital.
Esse movimento acompanha a expansão urbana e o crescimento populacional em áreas que antes tinham perfil predominantemente residencial. Regiões como o Norte e o Sudoeste de Goiânia concentram novos lançamentos habitacionais e, consequentemente, passam a demandar uma estrutura mais completa de serviços.
Sudoeste lidera valorização imobiliária
O Sudoeste de Goiânia foi a região que apresentou a maior valorização média nos preços de venda de imóveis residenciais nos últimos 12 meses, com alta de 11,7%, segundo levantamento da Datazap de dezembro de 2025. Na sequência aparecem o Setor Central (10,16%) e a Região Sul (9%).
A área abriga bairros como o Parque Oeste Industrial, que registrou crescimento de 83% no número de domicílios entre os censos do IBGE de 2010 e 2022, um dos maiores percentuais da capital no período. A ampliação da malha viária, a disponibilidade de terrenos maiores e o avanço rápido da ocupação residencial ajudam a explicar o novo perfil da região.
Para a especialista em locação de imóveis, Agni Aguiar, o eixo Oeste/Sudoeste se consolida como uma das áreas mais promissoras dentro do processo de expansão urbana de Goiânia. Segundo ela, fatores como alta densidade populacional no entorno, acesso por vias estruturais e a ausência histórica de um comércio organizado criam condições para a instalação de novos serviços voltados à população local.
Região Norte ganha força com infraestrutura e mudança de perfil
Outro vetor importante de crescimento está na Região Norte de Goiânia, que tem atraído moradores interessados em áreas menos adensadas e maior contato com espaços verdes — tendência que se intensificou após a pandemia. A região é marcada pela predominância de loteamentos e condomínios horizontais, o que favorece uma ocupação mais planejada.
Obras viárias estratégicas ampliaram a visibilidade da área, como a duplicação da GO-402 no trecho entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e Santo Antônio de Goiás, além das futuras conexões com a GO-080 e a Via Parque, que ligará a GO-080 à BR-153.
De acordo com o empresário Paulo Silas, sócio da Sim Incorporadora, o Norte foi escolhido para novos projetos devido ao potencial de crescimento, disponibilidade de áreas bem localizadas e investimentos contínuos em infraestrutura urbana, fatores que sustentam a expansão da região no médio e longo prazo.
Aparecida de Goiânia se consolida como polo estratégico
Na Região Metropolitana, Aparecida de Goiânia é apontada por especialistas como um dos principais polos de atração de investimentos imobiliários, tanto residenciais quanto comerciais. O município vem se destacando como centro logístico e industrial, o que tem impacto direto na geração de emprego e renda.
Dados do IBGE mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) de Aparecida saltou de R$ 16,9 bilhões para R$ 20,8 bilhões no levantamento mais recente, superando Anápolis e tornando-se o terceiro maior PIB de Goiás, atrás apenas de Goiânia e Rio Verde.
Para o empresário Eduardo Oliveira, sócio-fundador da Cinq, a diversidade de polos industriais e logísticos sustenta o crescimento da cidade e impulsiona a demanda por moradia. Ele lembra que, nos últimos dez anos, foram lançados 11 condomínios horizontais no município, acompanhando esse avanço econômico.
Novas centralidades comerciais acompanham expansão residencial
O crescimento populacional em regiões fora do eixo tradicional de Goiânia também tem estimulado projetos voltados ao comércio e serviços. O engenheiro João Victor Vilela, gestor de engenharia e incorporação da Soares Empreendimentos, avalia que áreas como a Região Noroeste da capital, o trecho entre Goiânia e Trindade e Aparecida de Goiânia devem concentrar novos empreendimentos ao longo de 2026.
Segundo ele, a demanda vem tanto do segmento habitacional, impulsionado por programas como o Minha Casa Minha Vida, quanto da necessidade de atender moradores com estruturas comerciais mais próximas. A empresa projeta o lançamento de dois strip malls no primeiro semestre do próximo ano, um na Região Noroeste de Goiânia e outro em Aparecida.
Regiões centrais seguem valorizadas, mas com limitações
Bairros tradicionais e mais adensados, como Marista, Setor Sul, Bueno, Setor Oeste, Jardim América e Jardim Goiás, continuam registrando crescimento e valorização. No entanto, a escassez de áreas disponíveis para novas construções e o alto custo dos terrenos limitam a expansão nessas regiões.
Na avaliação de Paulo Silas, o cenário deve estimular, em 2026, lançamentos mais compactos voltados a um público específico, como jovens, casais sem filhos e investidores. A busca por imóveis funcionais, bem localizados e com valores mais acessíveis tende a moldar o perfil dos novos projetos nessas áreas consolidadas da capital.










