O governo federal, Estados e municípios do Centro-Oeste estão estruturando ações conjuntas para enfrentar os efeitos do El Niño no ciclo 2026/2027. Na manhã desta sexta-feira (28), representantes dos diferentes níveis de governo se reuniram para tratar de prevenção e resposta a eventos como estiagem, ondas de calor, escassez hídrica e incêndios florestais. Para reforçar as medidas preparatórias, a União anunciou R$ 1,3 bilhão em recursos adicionais.
Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, a previsão é de um El Niño de forte intensidade, com aquecimento das águas do Pacífico que pode chegar a 2,7°C acima da média. No Centro-Oeste, o fenômeno tende a provocar atraso no período chuvoso, temperaturas acima da média, possível escassez de água, maior demanda por irrigação e aumento do risco de incêndios, principalmente entre julho e outubro. O norte de Goiás está entre as áreas que exigem maior atenção.
Do valor extra anunciado, R$ 850 milhões serão destinados à ampliação dos estoques de arroz e milho, R$ 337 milhões à prevenção e ao combate a incêndios, R$ 65 milhões à aquisição antecipada de 350 mil cestas de alimentos e R$ 45 milhões aos Centros de Informação em Saúde e Clima. Outros R$ 25 milhões serão usados no monitoramento dos rios e R$ 13 milhões no Programa de Aquisição de Alimentos.
No caso dos estoque de alimentos, o arroz terá seu estoque ampliado em 310 mil toneladas, por conta da possibilidade de quebra de safra na região Sul, principal produtora do cereal no Brasil. Já o milho terá um aumento no estoque de 180 mil toneladas, para prevenir quebras de safras e atendendo prioritariamente o semiárido nordestino.
Decisões para combate direto
O plano de ação prevê a divisão de responsabilidades entre as esferas de poder, com Estados e municípios orientados a manter planos de contingência, mapear áreas de risco, emitir alertas e mobilizar equipes locais. Em situações de escassez hídrica, a recomendação é reforçar a gestão dos reservatórios e priorizar usos essenciais. Para os incêndios, o governo federal ampliou brigadas e repassou equipamentos aos Estados, enquanto municípios e governos estaduais são incentivados a estruturar equipes próprias de combate.
Na área de Defesa Civil, os municípios poderão utilizar o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) para solicitar reconhecimento federal de situações de emergência e apresentar planos de trabalho para acesso a recursos. A União também mantém o Defesa Civil Alerta, que utiliza mensagens diretamente nos celulares para avisar a população sobre eventos extremos. O governo recomenda ainda que as prefeituras atualizem seus planos de contingência e fortaleçam estruturas locais envolvendo saúde, infraestrutura, assistência social e meio ambiente.
Em Goiás, o Estado criou o Gabinete de Ações Integradas (GAI), coordenado pelo Corpo de Bombeiros, para acompanhar incêndios, estiagem e os efeitos do El Niño. A estrutura contará com uma Sala de Situação de funcionamento contínuo, reunindo informações do Cimehgo, da Secretaria de Meio Ambiente e de outros órgãos. O gabinete poderá emitir alertas, orientar campanhas sobre uso racional da água e subsidiar decisões sobre eventual decretação de emergência.
O prefeito de Valparaíso de Goiás, Marcus Vinicius, demonstrou a preocupação dos gestores municipais ao relatar dificuldades geradas pelas mudanças climáticas. Vinicius falou sobre os problemas causados pela fumaça de queimadas e a redução da disponibilidade de água na região do Entorno do Distrito Federal.
Segundo o gestor, incêndios recentes chegaram a provocar sobrecarga nas unidades de saúde e exigiram apoio do Corpo de Bombeiros e de cidades vizinhas. “Nós precisamos muito dessa articulação, dessa direção do governo federal”, afirmou.
A preparação também passa pelo combate ao fogo. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 95% dos incêndios florestais têm relação com ação humana, o que reforça a importância da prevenção. Recursos federais já foram destinados à estruturação dos Corpos de Bombeiros de Estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da ampliação de brigadas, bases operacionais e equipamentos.
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