Os candidatos goianos que disputam as eleições de outubro iniciaram suas campanhas com recursos alternativos ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral. Ainda sem acesso aos repasses dos recursos públicos de campanha, os postulantes iniciaram as agendas eleitorais com os recursos adquiridos via financiamento próprio, recursos provenientes de vaquinhas eleitorais e doações de pessoas físicas.
Entre os candidatos ao Senado Federal que já iniciaram as prestações de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o deputado federal Gustavo Gayer (PL) é o que reúne o maior aporte. O parlamentar já declarou R$ 242,1 mil em recursos que serão utilizados durante a campanha. Do total, R$ 145,8 mil são provenientes de doações de pessoas físicas, R$ 92,4 mil foram arrecadados por meio de vaquinha eleitoral e R$ 3,8 mil correspondem a recursos próprios.
Na sequência, entre os candidatos ao Senado está Vanderlan Cardoso (PSD), que declarou R$ 100 mil, todo proveniente de recursos próprios. Ernesto Roller (PSDB) aparece com R$ 27,1 mil, sendo R$ 16 mil em doações de pessoas físicas e R$ 11,1 mil do próprio candidato. Gustavo Mendanha (PRD) declarou R$ 20 mil, também integralmente provenientes de recursos próprios, enquanto Zacharias Calil (MDB) registrou R$ 10 mil, igualmente retirados do próprio patrimônio.
Candidatos a deputado
Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, os deputados Daniel Agrobom (PSD) e Rubens Otoni (PT) declararam R$ 100 mil e R$ 14 mil em recursos próprios, respectivamente. A deputada Adriana Accorsi (PT), por sua vez, iniciou a campanha com R$ 4.678,13. A maior parte do montante, R$ 4.478,13, foi arrecadada por meio de vaquinha eleitoral, enquanto R$ 200 vieram de doação de pessoa física.
Entre os deputados estaduais, os recursos declarados também apresentam diferentes estratégias de financiamento. Virmondes Cruvinel Filho (União Brasil) é quem tem maior aporte declarado entre os parlamentares da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), com R$ 135 mil, distribuídos em doações de pessoas físicas, recursos próprios e vaquinha eleitoral.
Virmondes e o deputado Amilton Filho (MDB), que aparece com R$ 69 mil provenientes integralmente de doações de pessoas físicas, receberam doações de seus próprios pais, o ex-deputado Virmondes Cruvinel e o ex-vereador de Anápolis Amilton Batista de Faria, respectivamente.
Gustavo Sebba (PSDB) e Rubens Marques (PSB), ambos com R$ 127 mil, e Cairo Salim (MDB), com R$ 100 mil, aparecem entre os parlamentares que mais desembolsaram em recursos próprios.
Bolo do Fundo Eleitoral
O Fundo Eleitoral terá R$ 4,96 bilhões para a disputa deste ano. A liberação, no entanto, não significa que o dinheiro chega imediatamente aos candidatos. Os valores são repassados aos diretórios estaduais, que posteriormente definem a distribuição entre os candidatos conforme os critérios estabelecidos pelas próprias legendas e as regras eleitorais.
Ao O HOJE, o presidente estadual do MDB, Haroldo Naves, avalia que o cenário não representa atraso na distribuição dos recursos, já que “historicamente” o repasse acontece depois do dia 10 de setembro. O mandatário ainda ressalta que, neste ano, os recursos devem ser antecipados para o dia 4 de setembro.
“Logicamente, quanto mais cedo chegar para os deputados, mais facilita a vida, a programação, o planejamento financeiro dos deputados. Mas isso já vem de várias eleições e o partido tem procurado otimizar e agilizar esse repasse. Cada parlamentar já sabe dessa logística, desses prazos, e já tem programado a sua pré-campanha e, no caso agora, a campanha efetivamente”, declarou Naves.
Disputa judicial
Além dos trâmites internos de cada legenda, a ausência dos recursos do Fundo Eleitoral no início da campanha ocorre em meio a uma disputa judicial que chegou a afetar a distribuição de parte dos recursos destinados aos partidos. Uma ação apresentada pelo PT ao TSE questionou o cálculo utilizado para definir a parcela do fundo distribuída de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara.
A discussão levou à suspensão temporária da distribuição de 48% do Fundo, montante equivalente a aproximadamente R$ 2,3 bilhões. O processo foi encerrado pelo TSE na última terça-feira (18), após o PT desistir da ação, e a Corte liberou a distribuição dos recursos.
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