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Baixa representatividade feminina expõe “machismo estrutural” de partidos

Administrador Por Administrador
21 de agosto de 2026
Em Política
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Baixa representatividade feminina expõe “machismo estrutural” de partidos

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As mulheres correspondem a 51,5% da população brasileira, de acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, o cenário político não reflete a representação deste índice. Nas últimas eleições gerais, disputadas em 2022, foram eleitas 1.696 pessoas, destas, apenas 302 são mulheres, o que corresponde a 15,3%.

Para os cargos executivos foram eleitas oito mulheres, sendo duas governadoras – Fátima Bezerra (PT-RN) e Raquel Lyra (PSD-PE) – e seis vice-governadoras – Mailza Assis (PP-AC), Jade Romero (PT-CE), Celina Leão (PP-DF), Hana Tuma (MDB-PA), Priscila Krause (PSD-PE) e Marilisa Boehm (PL-SC). Para o especialista em marketing político Marcos Marinho, a maior proporção de vices eleitas em relação a cabeças de chapas evidenciam o machismo estrutural dentro das legendas.

“Então você faz a estratégia de puxar uma mulher para ser vice na chapa de um homem para que haja algum nível de interlocução com as mulheres. Porque a maioria dos homens é incapaz de construir essa interlocução com o eleitorado feminino.” 

Segundo Marinho, dentro de um sistema de machismo estrutural, “é passível de concordância entre os homens que dominam o cenário político que a mulher possa compor a chapa para dar algum nível de entrada no eleitorado feminino”. “Porque ele sozinho não dá conta. Mas deixar ela tomar o protagonismo, isso eles não vão aceitar. Porque de fato é um machismo que não está disposto a dividir o poder com as mulheres”, afirma ao O HOJE.

Situação em Goiás
Em Goiás, neste ano, há apenas uma mulher encabeçando uma chapa majoritária, Luciana Amorim, candidata ao Palácio das Esmeraldas pelo UP, enquanto três dos seis candidatos a vice são do gênero feminino: Ana Paula Rezende (PL), Caymmi Henrique (UP) e Jacqueline Zaiden (PSDB). Neste contexto, Marcos Marinho, destaca que a eleição é só a ponta do processo político. Para que mulheres ocupem candidaturas de grande potencial é necessário mais espaço dentro das siglas.

“É impossível que surja uma mulher em uma candidatura de grande visibilidade, com muito espaço, com muito recurso, com muita estrutura, na eleição, se dentro do processo político, dentro dos partidos, dentro das organizações partidárias e sociais, elas já não tiverem protagonismo”, observa o especialista.

E continua Marinho: “E é por óbvio que dentro dessas instâncias não há. Então, quando você olha para o contexto político eleitoral e percebe que não há mulheres com protagonismo, é porque na estrutura política elas não aparecem. Não há nos partidos, não há nos conjuntos sociais, não há nas organizações sociais políticas. Se isso não mudar, é impossível que na eleição elas apareçam com grande visibilidade”.

No Legislativo
Para a Câmara dos Deputados, que visa ser a representação proporcional da população, foram eleitas 91 mulheres, o equivalente a 17,7% do total de 513 cadeiras. Apesar da baixa representatividade, houve um avanço de 18,7% em relação a 2018, quando foram eleitas 77 deputadas.

No Senado, o cenário é diferente. Entre 2018 e 2022 houve uma redução de 11 para dez cadeiras ocupadas por mulheres. A queda no número de eleitas aconteceu mesmo com o aumento no número de candidatas, que foi de 34%, acima do mínimo exigido pela legislação eleitoral.

Na Alego
Para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) foram eleitas quatro mulheres: Bia de Lima (PT), Dra. Zeli (PSD), Rosângela Rezende (Agir) e Vivian Naves (Republicanos). As deputadas correspondem a menos de 10% da quantidade total de legisladores estaduais. 

Para o pleito de 2026, as candidaturas femininas à deputada estadual correspondem a 38% do total de candidaturas. As 17 chapas somadas registraram 224 candidatas e 364 candidatos. Os únicos partidos e federação que tiveram paridade de gênero, ou quase isso, foram o MDB (51%), UP (50%) e Federação União Progressista (52%). Cabe ressaltar que o UP lançou a chapa com apenas dois candidatos, uma mulher e um homem.

Na disputa pela Câmara Federal, quatro partidos e federações tiveram a mesma quantidade de candidatos e candidatas: Podemos, Republicanos, Federação União Progressista e UP. Os três primeiros registraram nove candidatos de cada gênero, enquanto o último tem a chapa composta por um candidato e uma candidata. (Especial para O HOJE)

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