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Obra para conter alagamentos na Marginal Botafogo, em Goiânia, esbarra em entraves técnicos

Administrador Por Administrador
5 de agosto de 2026
Em Cidades
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Obra para conter alagamentos na Marginal Botafogo, em Goiânia, esbarra em entraves técnicos

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A Prefeitura de Goiânia pretende construir uma bacia de contenção no Córrego Botafogo, na Vila Redenção, como parte da estratégia para reduzir os recorrentes transbordamentos da Marginal Botafogo. O reservatório projetado terá 18.360 metros quadrados, área equivalente a aproximadamente 2,5 campos de futebol oficiais, e capacidade para armazenar 100 mil metros cúbicos de água, volume comparável a 40 piscinas olímpicas. A estrutura é apresentada pela administração municipal como a maior intervenção de drenagem em andamento na capital.

O prefeito Sandro Mabel anunciou a intenção de concluir a obra ainda em 2026, mas o processo licitatório enfrenta obstáculos técnicos. A contratação ocorre por meio de dispensa eletrônica emergencial e recebeu proposta de R$ 48 milhões do Consórcio Bacia Botafogo. Pareceres da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) identificaram inconsistências na planilha de custos, incluindo itens acima dos parâmetros do Tribunal de Contas da União (TCU). Enquanto a análise documental não é concluída, o cronograma permanece indefinido.

Como funcionará a bacia de contenção
A obra integra o Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia (PDDU-GYN), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). O objetivo é substituir a lógica de ampliar galerias pluviais por soluções capazes de reter parte da água das chuvas antes que ela chegue aos pontos críticos.

A estrutura será do tipo in-line, construída diretamente no leito do Córrego Botafogo para amortecer os picos de vazão e liberar a água de forma gradual. Segundo os estudos técnicos, a medida poderá reduzir em até 50% o volume de água que chega ao Complexo Viário Jamel Cecílio e aos trechos mais baixos da Marginal Botafogo.

Especialistas defendem ações complementares
Apesar da expectativa da Prefeitura, especialistas afirmam que a bacia, sozinha, não eliminará os alagamentos. O arquiteto e urbanista Fred Le Blue explica que esse tipo de estrutura tem caráter mitigador e sua eficiência depende da intensidade das chuvas, da capacidade de armazenamento e das transformações urbanas.

Segundo ele, a ocupação das áreas de várzea, a canalização do córrego, a impermeabilização do solo e o descarte irregular de resíduos reduziram a capacidade natural de drenagem da região e podem comprometer a eficiência do reservatório por causa do assoreamento.

Para o especialista, a solução passa por um conjunto de medidas, como recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), implantação de parques lineares, pavimentos permeáveis e jardins de chuva. O próprio PDDU prevê incentivos para imóveis que adotarem tecnologias de drenagem sustentável.

Obra terá compensação ambiental
A Seinfra informa que a intervenção será executada exclusivamente em áreas públicas, sem necessidade de desapropriações. No entanto, haverá remoção de vegetação, com compensação ambiental sob responsabilidade da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). O número de árvores que serão retiradas ainda não foi informado.

Região concentra maior risco de alagamentos
Dados do Plano de Emergência e Contingência (PEC) de Goiânia apontam que a bacia do Baixo Anicuns, onde está localizado o Córrego Botafogo, concentra o maior risco de alagamentos da capital, com 15 pontos críticos mapeados.

As fortes chuvas registradas em janeiro de 2025, que provocaram deslizamentos e deixaram a Marginal Botafogo interditada por 15 dias, serviram como base para os estudos que embasam o projeto.

Plano prevê novos reservatórios
Além da bacia de contenção, o projeto inclui a construção de um polder na Avenida Jamel Cecílio e a modernização da microdrenagem, com novas grelhas para ampliar a capacidade de escoamento da água.

A intervenção faz parte de um plano mais amplo da Prefeitura de Goiânia, que prevê a construção de três reservatórios até 2028, com capacidade total de 300 milhões de litros, além de outras 62 obras previstas no Plano Diretor de Drenagem Urbana. Para viabilizar o pacote, o município busca financiamento de R$ 580 milhões junto ao Fundo Clima e ao BNDES.

Leia mais:

Seinfra autoriza contrato emergencial para construção de bacia de contenção no Córrego Botafogo em Goiânia

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