A discussão sobre o desenvolvimento sustentável das cidades tem se ampliado nos últimos anos, principalmente em razão das mudanças climáticas. Nas capitais, os debates estão voltados para uma expansão urbana integrada a ações sustentáveis.
Em Goiânia, algumas iniciativas têm buscado promover um desenvolvimento urbano mais sustentável. Um dos principais problemas da Capital são os alagamentos durante o período chuvoso, provocados pela impermeabilização do solo. Por isso, no mês de junho, a Prefeitura iniciou a implementação de jardins de chuva.
As estruturas consistem em áreas escavadas e preenchidas com camadas de solo de alta permeabilidade e material granular, projetadas para captar, filtrar e infiltrar a água da chuva no próprio local onde ocorre a precipitação.
Essa iniciativa faz parte da Agenda Goiânia Mais Verde, voltada para ações de enfrentamento às mudanças climáticas. Entre as medidas previstas, além dos jardins de chuva, estão as Zonas de Desenvolvimento Sustentável (ZDS), que visam ampliar a arborização, melhorar a drenagem e integrar parques, microbacias e eixos urbanos, em uma estratégia voltada à elevação da qualidade de vida dos goianienses.
O planejamento contempla cerca de 16 quilômetros de corredores destinados a interligar parques e outras áreas verdes da capital, com ciclovias e pontos de coleta seletiva. Também está prevista a construção de novos jardins de chuva em diferentes regiões da cidade.
Especialista vê potencial, mas faz ressalvas
Para o arquiteto e urbanista Fred Le Blue, essas propostas podem melhorar a qualidade ambiental e urbana de Goiânia, mas ainda há ressalvas, porque podem gerar “controle de enchentes e alagamentos, conectividade ecológica, conforto térmico e microclima, e melhora no bem-estar e saúde coletiva”. Porém, mesmo que o projeto seja tecnicamente viável, Le Blue pontua que é preciso uma mudança de postura por parte dos gestores municipais, colocando a qualidade de vida e a urbanidade em primeiro lugar.
Em nota enviada ao O HOJE, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) informou que a implantação das Zonas de Desenvolvimento Sustentável, por meio do programa Agenda Goiânia Mais Verde, já foi iniciada. O primeiro corredor verde começou a ser implantado na Rua 4, no Setor Oeste, e seguirá até o Lago das Rosas. O projeto do primeiro jardim de chuva também está em fase final de elaboração e será implantado na mesma via.
Além disso, a Agência destacou que o projeto das Zonas de Desenvolvimento Sustentável possibilitou a seleção de Goiânia no programa FinanCidades, iniciativa que permite ao município acessar até R$ 500 milhões, por meio do Fundo Clima, para investimentos em infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza.
Críticas ao modelo de desenvolvimento em Goiânia
Desde o ano passado, a gestão do prefeito Sandro Mabel (UB) tem recebido críticas pela forma como conduz as questões ambientais da cidade. Um dos casos mais emblemáticos foi a instalação de grama sintética em canteiros centrais e áreas públicas. A medida foi adotada em pontos como as avenidas Castelo Branco e 44.
A iniciativa, no entanto, provocou questionamentos de moradores, urbanistas e entidades ligadas ao meio ambiente. Atualmente, a Prefeitura realiza a reconfiguração da Praça Ciro Lisita, no Setor Coimbra, que inclui cortar a praça ao meio para dar vazão ao fluxo da Avenida Castelo Branco. Com essa intervenção, está sendo eliminado um ponto de infiltração da água da chuva, aumentando a impermeabilização do solo.
“Sabemos que Mabel tem sido o maior defensor do automóvel na cidade, diminuindo calçadas e praças para caberem mais SUV no asfalto”, critica Le Blue. Na visão do especialista, as propostas apresentadas por Sandro Mabel fazem parte de um programa de greenwashing, para compensar o desgaste sofrido.
Além disso, o arquiteto e urbanista afirma que, caso o projeto seja bem-sucedido, poderá haver melhora nos alagamentos e nas ilhas de calor em Goiânia. No entanto, para o especialista, também é possível que essas novas áreas sofram com a especulação imobiliária, inclusive na periferia, “empurrando diversas populações pobres para territórios ainda mais longínquos, ou até mesmo outras cidades”.
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