Bruno Goulart
A partir deste sábado (4), o governador de Goiás e pré-candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), entra em uma nova fase da pré-campanha. Com o início das restrições impostas pela legislação eleitoral, o emedebista não poderá mais participar de inaugurações e eventos oficiais do governo que possam caracterizar promoção eleitoral. Ao mesmo tempo, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) intensifica sua agenda nacional como pré-candidato à Presidência da República, o que pode reduzir sua presença física em Goiás.
As limitações fazem parte do calendário eleitoral e atingem todos os agentes públicos que disputarão as eleições. Na prática, o governo entra em um período de menor exposição institucional. A partir de agosto, após as convenções partidárias, a campanha eleitoral deverá começar oficialmente. O novo cenário levanta uma questão: Daniel ficará politicamente mais isolado ou conseguirá manter a força da associação construída com Caiado ao longo dos últimos anos?
Para o suplente de senador e ex-deputado federal Pedro Chaves (MDB), a redução da presença de Caiado em agendas no Estado não representa nada. Segundo Chaves, a ligação entre os dois já está consolidada junto ao eleitorado goiano. “Desde o primeiro dia do governo Caiado, o ex-governador colocou Daniel ao lado dele. A identificação de Caiado com Daniel já está cristalizada na mente do goiano”, afirma.
Obras, pesquisas e prefeitos bastam? Daniel começa a ser testado de verdade
Pedro Chaves lembra que essa aproximação foi reforçada por uma série de encontros regionais promovidos pelo governo. Os eventos já passaram por Jaraguá, Luziânia, Rio Verde, Uruaçu e Itumbiara. Agora, as últimas edições ocorrerão em Campos Belos e Trindade, o que contempla todas as regiões do Estado. Segundo o ex-deputado emedebista, as inaugurações poderão acontecer, mas o governador não poderá estar presente. “As entregas serão finalizadas nesta sexta-feira (3)”, afirma.
Mudança apenas operacional
Na avaliação do especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, a ideia de que Daniel ficará “por conta própria” tende a ser superestimada. Para Fulquim, a parceria entre Caiado e Daniel foi construída durante toda a gestão e dificilmente desaparecerá apenas porque a presença física do ex-governador será reduzida.
Segundo Fulquim, a principal mudança será operacional. Caiado deverá percorrer o País em busca de apoio para sua candidatura ao Palácio do Planalto, enquanto Daniel concentrará sua agenda em Goiás. Ainda assim, a estratégia de comunicação tende a manter os dois politicamente vinculados. “A imagem de Caiado, tanto em fotografias quanto em vídeos e materiais de campanha, deverá ser utilizada de forma intensa. A estratégia será transmitir ao eleitor a sensação de que ele continua presente e apoiando seus aliados, mesmo quando não estiver fisicamente nos eventos”, explica.
O especialista ressalta que essa prática é comum nas campanhas eleitorais. Segundo Fulquim, outros grupos políticos também devem recorrer às imagens de suas principais lideranças nacionais. “Essa é uma estratégia comum e não muito diferente da que Wilder Morais também deve adotar. Tanto a direita quanto a esquerda deverão utilizar mensagens gravadas, vídeos e fotografias de seus principais líderes para fortalecer seus candidatos nos Estados”, afirma.
Fulquim lembra ainda que as restrições eleitorais atingem igualmente todos os candidatos e reduzem o peso da máquina pública durante a campanha. “Do ponto de vista institucional, isso garante isonomia entre os concorrentes. Já do ponto de vista eleitoral, a ausência física tende a ser compensada pelo uso ostensivo da imagem das principais lideranças”, avalia.
Desinformação via IA
Outro ponto que, segundo o especialista, deverá exigir atenção da Justiça Eleitoral é o uso da inteligência artificial na produção de conteúdos de campanha. Para Fulquim, a utilização de tecnologias capazes de simular falas ou imagens de candidatos precisará ser rigidamente fiscalizada para evitar desinformação durante o processo eleitoral. (Especial para O HOJE)
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