Os Estados Unidos e o Irã já assinaram um acordo voltado ao encerramento do conflito no Oriente Médio. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (15) pelo vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, e reforçada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que o documento foi assinado eletronicamente e que uma cerimônia oficial ocorrerá na próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.
Segundo autoridades dos Estados Unidos, o memorando foi assinado por Donald Trump, J.D. Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que integra a equipe de negociação de Teerã. O governo norte-americano considera que Ghalibaf possui autorização do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, para representar o país no acordo.
“O acordo já está totalmente assinado. E o estreito já está parcialmente aberto”, declarou Trump ao chegar à França para participar da cúpula do G7. O presidente também informou que o texto completo deverá ser divulgado somente após a cerimônia formal prevista para sexta-feira.
O que prevê o entendimento
Embora os termos definitivos ainda não tenham sido publicados, informações divulgadas por autoridades dos dois países indicam que o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o encerramento do bloqueio marítimo dos Estados Unidos contra o Irã e um período de negociações para tratar de temas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano.
O entendimento também estabelece uma fase de negociações posteriores entre Washington e Teerã. Segundo Vance, a assinatura digital ocorreu no domingo (14). “Nenhum recurso foi liberado”, afirmou o vice-presidente ao comentar os próximos passos do processo.
Uma autoridade norte-americana informou ainda que o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz já começou a aumentar e deverá crescer gradualmente nas próximas semanas. “Vocês verão um aumento significativo no tráfego”, disse a fonte à agência Reuters.
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Sanções e taxa no Estreito de Ormuz
Apesar do avanço diplomático, a questão das sanções econômicas continua em aberto. Trump afirmou que qualquer flexibilização dependerá do comportamento do governo iraniano após a assinatura formal do acordo.
“Se eles fizerem o que devem fazer, isso começa a entrar em vigor”, declarou o presidente norte-americano ao ser questionado sobre o possível alívio das restrições impostas a Teerã.
Enquanto isso, o governo iraniano anunciou que não pretende cobrar pedágio para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz. No entanto, informou que passará a exigir pagamentos relacionados a serviços de navegação, proteção ambiental, seguros marítimos e outras operações ligadas ao trânsito de navios.
A medida ocorre em meio à retomada gradual da circulação na via marítima, considerada uma das mais estratégicas do mundo para o transporte internacional de petróleo e gás. Até o momento, o governo dos Estados Unidos não comentou oficialmente a cobrança anunciada por Teerã.
Mesmo com a assinatura do documento, declarações recentes dos dois governos mostram que a relação entre Washington e Teerã continua marcada por cautela. As negociações técnicas devem prosseguir ao longo desta semana, enquanto os detalhes do tratado permanecem sob sigilo até a cerimônia oficial em Genebra.
