Bruno Goulart
Quando a Seleção Brasileira entra em campo, a política perde espaço. Em ano de Copa do Mundo, o interesse da população se volta para os jogos, os resultados e a expectativa de mais um título mundial. Ainda assim, a disputa eleitoral não para. Pré-candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Congresso continuam a trabalhar para manter suas imagens em evidência, principalmente nas redes sociais.
A avaliação é de que a Copa do Mundo muda o ritmo das pré-campanhas, mas não interrompe as articulações. O especialista em marketing político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, explica que os políticos continuam a buscar espaço junto ao eleitorado, mesmo com a maior competição de futebol do planeta no centro das conversas.
“Apesar de grande parte da atenção da população estar concentrada nos jogos da Copa do Mundo, especialmente nos da Seleção Brasileira, os pré-candidatos continuam se movimentando, dialogando com seus públicos e buscando votos”, afirma.
Segundo Fulquim, as redes sociais se tornam a principal ferramenta nesse período. Muitos pré-candidatos aproveitam o assunto do momento para produzir conteúdo, comentar partidas, fazer previsões de placares e demonstrar torcida pelo Brasil. Outros utilizam referências do futebol para reforçar mensagens políticas ou criticar adversários.
Além disso, a Copa também abre espaço para uma disputa simbólica em torno das cores nacionais. A camisa da Seleção Brasileira e as cores verde e amarelo voltaram a ganhar destaque durante o Mundial e passaram a fazer parte das estratégias de comunicação de diferentes grupos políticos.
Essa movimentação ficou evidente já na estreia do Brasil na Copa de 2026. De um lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a associar a camisa da Seleção ao grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Do outro, o presidente Lula da Silva (PT) e aliados tentam reforçar um discurso patriótico para mostrar que os símbolos nacionais pertencem a todos os brasileiros.
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Nos bastidores das campanhas, marqueteiros enxergam a Copa como uma oportunidade de aproximação com o eleitor. A lógica é simples: se o futebol domina as atenções, os políticos precisam mostrar que também estão ligados nesse momento.
Torcida pelo Brasil
Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, todo candidato precisa demonstrar sintonia com o sentimento popular. “Todo candidato tem que, minimamente, torcer pelo Brasil. É o que todo mundo espera. Existe uma expectativa muito grande de que a Seleção faça uma boa Copa do Mundo, porque já são 24 anos sem um título”, afirma.
Segundo Zancopé, dificilmente um político vai apostar contra a Seleção ou adotar um discurso que desagrade os torcedores. “Num bolão, seja candidato a presidente, governador ou deputado, ninguém vai apostar numa derrota do Brasil. No mínimo, vai colocar um placar apertado. Faz parte da simbologia que envolve a Seleção”, diz.
Apesar disso, Zancopé ressalta que existe um limite para a atuação política durante o Mundial. Na avaliação do historiador, nenhum candidato consegue disputar atenção com a Copa. “O candidato pode aproveitar o ambiente para gerar conteúdo, aparecer ao lado da família, participar de eventos ou comentar os jogos. Mas ele não consegue colocar a Copa a serviço da campanha. Hoje isso é praticamente impossível. O protagonismo continua sendo da Seleção”, avalia.
Tom mais leve
Por isso, a tendência é que as pré-campanhas adotem um tom mais leve durante o torneio. Em vez de debates mais duros ou ataques aos adversários, a estratégia é mostrar proximidade com o eleitor e participar do clima de torcida que toma conta do País.
Felipe Fulquim observa que esse tipo de conteúdo ajuda a humanizar os pré-candidatos. Fotos enquanto assiste aos jogos com familiares, vídeos nos quais acompanha as partidas e mensagens de apoio à Seleção costumam gerar identificação com o público.
Ao mesmo tempo, os especialistas lembram que essa redução do espaço político é temporária. Assim que a Copa terminar, o calendário eleitoral ganhará força. As convenções partidárias se aproximam e serão responsáveis por oficializar os nomes que disputarão as eleições deste ano. (Especial para O HOJE)
