A entrada do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), na disputa por uma vaga ao Senado Federal adicionou mais um nome à já extensa lista de pré-candidatos da base do governador Daniel Vilela (MDB). O cenário reacendeu a discussão sobre a multiplicidade de candidaturas da base aliada ao Senado.
Em 2022, o grupo do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) chegou dividido em três candidaturas na disputa pela Casa Alta e viu o senador Wilder Morais (PL) conquistar a única cadeira em disputa. Para este ano, já são cinco pré-candidatos: a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), o senador Vanderlan Cardoso (PSD), o deputado federal Zacharias Calil (MDB), o ex-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy (PP), além do próprio Mendanha.
O doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), Josimar Gonçalves, considera que o congestionamento de pré-candidaturas representa um desafio político, embora o contexto eleitoral seja distinto da disputa de 2022.
O cientista político destaca que na eleição passada havia apenas uma cadeira em disputa. “Com duas cadeiras, a base governista não precisa necessariamente concentrar todos os votos em um único candidato. Ela pode eleger dois nomes ou pelo menos garantir uma vaga mesmo com alguma dispersão interna”, explica o cientista político à reportagem do O HOJE.
Josimar ainda afirma que, historicamente, em eleições com duas vagas para o Senado, é comum ocorrer uma divisão das vagas entre os dois principais campos políticos do Estado. “Não seria surpresa se um nome ligado ao governo conquistasse uma vaga e uma candidatura oposicionista competitiva conquistasse a outra.”
Além disso, o cientista político frisa que a disputa na base, hoje fragmentada, pode se afunilar perto de outubro. “A grande pergunta não é quantos pré-candidatos a base possui agora. A grande pergunta é quantos chegarão efetivamente candidatos em agosto de 2026 e quais deles receberão o apoio explícito da estrutura política construída por Caiado e herdada por Daniel Vilela.”
Comparação possui limitações
Já o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Guilherme Carvalho, entende que a comparação possui limitações. Segundo Carvalho, a existência de diversos pré-candidatos aliados tende a beneficiar mais o projeto majoritário de Daniel do que necessariamente prejudicar os postulantes ao Senado. “O candidato ao governo sobe no palanque de todo mundo. Todos os candidatos ao Senado pedem voto para ele. Então isso acaba sendo vantajoso para quem está disputando o Executivo”, avalia Carvalho ao O HOJE.
Na análise do especialista, a vitória de Wilder Morais em 2022 não pode ser explicada apenas pela fragmentação do campo governista. Carvalho argumenta que o principal fator foi a consolidação, na reta final da campanha, do eleitorado identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“O Wilder ganhou porque tinha como vantagem o voto bolsonarista de última hora. É um voto que demora a aparecer nas pesquisas, mas é muito consolidado quando se define”, afirma. Para 2026, o professor da UFG avalia que parte desse eleitorado já demonstra preferência pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL), pré-candidato ao Senado fora da base que melhor pontua nas pesquisas eleitorais.
Além disso, Carvalho avalia que o comportamento do eleitor tende a permitir a combinação entre um voto em um candidato apoiado pelo governo estadual e outro em um nome da oposição. “Como são dois votos, e o primeiro voto deve ir para Gracinha, na grande maioria dos casos, o outro voto se espalha e não necessariamente vai para um nome governista. Não tem nada que mostre que o eleitor não votaria na Gracinha e no Gayer”, explica o cientista político.
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Dinâmica própria
O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé também relativiza os efeitos das várias pré-candidaturas da base governista. Zancopé destaca que a eleição para o Senado possui uma dinâmica própria, na qual os candidatos frequentemente disputam o chamado “segundo voto” do eleitor.
“O segundo voto, muitas vezes, é para aquele companheiro de chapa. No caso da base aliada, os nomes que estão sendo colocados são nomes fortes que possuem uma trajetória política. Então, não acho que essa pulverização de nomes na base acabe favorecendo outros candidatos”, afirma ao O HOJE.
Zancopé diz acreditar que a pulverização só pode atrapalhar a base caso nomes de peso sejam lançados pela oposição. “Para isso mudar seria importante a oposição lançar um nome com o mesmo peso dos nomes da base aliada. Se a [deputada federal] Adriana Accorsi (PT) estivesse na disputa, ou o próprio [ex-governador] Marconi Perillo fosse disputar o Senado de novo, eu entenderia que essa pulverização acabaria ajudando eles, mas não é o caso”, pontua.
