A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou nesta terça-feira (9) que interrompeu temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue, seguindo recomendação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida tem caráter preventivo e ocorre enquanto autoridades sanitárias investigam casos raros de eventos adversos registrados após a imunização em diferentes regiões do país.
Em Goiás, o Estado recebeu cerca de 26 mil doses da vacina e já aplicou mais de 10 mil delas, principalmente em profissionais da atenção primária à saúde. Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, há apenas um caso considerado grave em investigação no território goiano. Apesar disso, o paciente já recebeu alta hospitalar e se recupera em casa.
Investigação busca esclarecer eventos adversos
De acordo com a SES, a suspensão não significa que a vacina apresentou falhas comprovadas ou deixará de ser utilizada definitivamente. A decisão faz parte do processo de farmacovigilância, sistema que acompanha a segurança dos imunizantes mesmo após sua aprovação e distribuição para a população.
Em todo o Brasil, aproximadamente 500 mil doses da Butantan-DV foram aplicadas desde o início da estratégia de vacinação, em fevereiro deste ano. Nesse período, 42 pessoas apresentaram sintomas considerados mais severos após receberem a vacina. Três casos exigiram internação hospitalar e dois pacientes morreram. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que ainda não existe comprovação de que os óbitos tenham sido causados pelo imunizante.
Municípios devem armazenar doses até conclusão dos estudos
A orientação repassada aos municípios é para que todas as doses da Butantan-DV sejam retiradas temporariamente das salas de vacinação e armazenadas em locais identificados até a conclusão das investigações. Os imunizantes não devem ser descartadas, pois a expectativa é que os estudos determinem se existe alguma relação entre os casos registrados e a imunização.
Além disso, profissionais de saúde que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem procurar uma unidade de saúde caso apresentem sintomas como febre, dor de cabeça, dores no corpo ou prostração. Nesses casos, será realizado um protocolo específico de investigação para verificar se há alguma associação com a vacina.
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Vacina Qdenga continua sendo aplicada normalmente
Enquanto a investigação sobre a Butantan-DV avança, a SES reforça que a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, continua sendo aplicada normalmente em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Segundo Flúvia Amorim, o imunizante não apresentou qualquer notificação que justificasse sua suspensão.
A secretaria também destaca a importância da vacinação contra a dengue, especialmente diante do histórico recente da doença em Goiás. Somente no ano passado, a dengue provocou 122 mortes no estado. Por isso, as autoridades sanitárias reforçam que a interrupção temporária da Butantan-DV não deve gerar desconfiança sobre as vacinas, mas sim demonstrar o rigor dos mecanismos de monitoramento que garantem a segurança da população.


