A tentativa de impedir uma nova escalada militar no Oriente Médio expôs fissuras na relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Embora Washington continue sendo o principal aliado de Tel Aviv, os acontecimentos dos últimos dias revelaram divergências sobre a estratégia a ser adotada diante do conflito iniciado há mais de três meses.
Um dos episódios de tensão entre os líderes ocorreu após o lançamento de mísseis iranianos contra Israel no domingo, em resposta aos bombardeios israelenses realizados no Líbano. Trump telefonou para Netanyahu na tentativa de evitar uma nova rodada de ataques que pudesse levar à retomada da guerra em larga escala entre EUA, Israel e Irã.
De acordo com informações reveladas pelo site norte-americano Axios, o republicamo fez um alerta direto ao premiê israelense. “Eu disse: ‘Bibi, é melhor você tomar cuidado, ou muito em breve você ficará por conta própria’”, afirmou Trump.
A ligação teve como objetivo convencer Netanyahu a não retaliar Teerã. O pedido, porém, não foi atendido. Ainda na noite de domingo, Israel respondeu ao ataque iraniano. Trump já avaliava que seria difícil impedir uma reação israelense, mas buscava ao menos evitar uma operação de grandes proporções que colocasse fim aos esforços por um acordo de paz.
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Segundo a imprensa norte-americana, a pressão exercida pela Casa Branca contribuiu para reduzir o alcance da resposta militar. Autoridades americanas teriam atuado para barrar um plano israelense mais amplo, que envolveria dezenas de aeronaves em ataques contra alvos iranianos.
O episódio reforçou uma tensão que vinha crescendo nos bastidores. Dias antes, segundo informação publicada pelo Axios, Trump e Netanyahu já haviam protagonizado uma conversa telefônica marcada por divergências. Na ocasião, o presidente norte-americano teria classificado o premiê israelense como “completamente louco” ao discutir os riscos de uma escalada militar.
Apesar dos atritos, Trump continuou defendendo publicamente a redução das hostilidades. O presidente criticou os ataques realizados pelos dois lados e classificou a troca de bombardeios como uma “estupidez”.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)
Israel volta a atacar o sul do Líbano
Mesmo com os esforços para evitar a deterioração da situação, a guerra continuou produzindo novos focos de tensão. Na terça-feira, Israel realizou ataques contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, e emitiu uma rara ordem de retirada para um bairro cristão da região. O Exército israelense afirmou que a medida foi tomada em razão de supostas atividades do Hezbollah e de violações do cessar-fogo.
Os bombardeios ocorreram mesmo após Israel e Irã anunciarem uma trégua depois dos confrontos registrados entre domingo e segunda-feira. Teerã, no entanto, advertiu que poderá retomar os ataques caso Israel mantenha operações contra o Hezbollah em território libanês.
Trump promete retaliação após ataque de Teerã a helicóptero dos EUA
No mesmo dia, Trump afirmou que forças iranianas derrubaram um helicóptero militar norte-americano próximo ao Estreito de Ormuz. Em publicação na Truth Social, o presidente afirmou que “os EUA devem, necessariamente, responder a este ataque”. A declaração contrasta com o discurso adotado nos dias anteriores, quando afirmava que um acordo para encerrar o conflito estaria em sua fase final e poderia ser alcançado em poucos dias.
A resposta iraniana veio por meio do chanceler Abbas Araghchi. “Forças estrangeiras que se encontram nas proximidades do nosso território estão sob risco constante devido a seus próprios erros humanos […] Para reduzir esse risco, a melhor solução é que se retirem”.


