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Goiás precisa de R$ 10 bi para o novo governo começar bem

Administrador Por Administrador
9 de junho de 2026
Em Política
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Goiás precisa de R$ 10 bi para o novo governo começar bem

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O então governador Marconi Perillo e seu vice, José Eliton, lançaram em 2017 o programa “Goiás na Frente”, com R$ 9 bilhões em obras para fechar o ano seguinte. A dinheiro de hoje, R$ 14 bilhões. Mesmo assim, Marconi ficou em 5º lugar para senador, com míseros 7,55% e Eliton, em 3º tentando a reeleição para o governo, com 13,73%. Era, e continua sendo, impossível fazer R$ 14 bilhões em obras no ano eleitoral. Agora, situacionistas estão anunciando um superpacote de obras do governador Daniel Vilela (MDB). É impossível colher resultado diferente de algo feito com o mesmo método, no mesmo prazo, com o mesmo script. O Estado precisa de R$ 10 bilhões em investimento, mas para ser executado em 2017.

Daniel está sem os principais tocadores de obra de Goiás, Pedro Sales e Adib Elias, que se desincompatibilizaram dos órgãos de infraestrutura querendo ser deputados federal e estadual, respectivamente. Mesmo que houvesse dinheiro em caixa, e não é o caso, licitação e execução não cabem de junho a setembro. A bancada governista comemora os 80 projetos sociais aprovados em menos de oito anos. É neles que Daniel tem de se escorar, pois improvável realizar obras médias e impossível fazer as grandes. A experiência recente mostra que nem isso é garantia de render voto.

Em 2018, Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru, sem obra alguma no Estado (o 1º ainda tinha uma ou outra coisinha em Senador Canedo e só) venceram dois dos maiores realizadores de Goiás, Marconi, na área pública, e Wilder Morais, na iniciativa privada. É impossível olhar para qualquer rumo em Goiás sem ver obras feitas por Marconi ou com verbas trazidas por Wilder. E ambos viram Caiado ser reeleito no 1º turno, de novo, baseado nos programas sociais.

Não é incompetência, apenas nunca esteve em posto administrativo
Além de estar com a equipe desfalcada de Pedro Sales e Adib Elias, o próprio Daniel jamais administrou obras públicas ou privadas. Não tem sequer o traquejo de um Iris Rezende ou Maguito Vilela, o que seria exigir demais. Não é incompetência do atual governador, apenas nunca esteve em posto administrativo. À exceção dos cargos de vereador e deputado, havia sido do Poder Executivo apenas por pouco tempo, na equipe de Rogério Cruz na Prefeitura de Goiânia. Ficou também sem Fátima Gavioli na Secretaria de Educação, sem Carlão da Fox na Ceasa, sem Alexandre Baldy na Agência de Habitação, sem Waldir Soares no Detran. Não é pouca coisa perder no mesmo dia o ministro recordista em construção de casas no Brasil (Baldy) e os prefeitos que fizeram de Catalão e Goianira referências no Sudeste e na Grande Goiânia.

Sem essa turma experiente em gerir canteiros de obras, Daniel ficou desguarnecido. Assumiu há 70 dias e ainda parece haver um vácuo, também porque a presença de Ronaldo Caiado foi muito forte durante longo período. Por isso, vai sobrar tarefa árdua para o próximo governador, que pode ser o próprio Daniel, ou também Marconi, Wilder ou Luis Cesar Bueno, efetivado nesta segunda-feira (8) como pré-candidato do PT ao Governo de Goiás. Com R$ 10 bilhões no cofre, o eleito em outubro terá tempo e time para rearrumar a casa. Daniel até agora não teve qualquer dos três, nem os bilhões (perdeu mais de R$ 800 milhões em dois meses), nem tempo (faltam menos de quatro meses para a eleição), nem time (à exceção de alguns quadros de alto nível, como Gean Carvalho e José Frederico Lyra Netto, o que está aí é o que sobrou).

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Estima-se que a infraestrutura viária necessita de R$ 20 bilhões
Estima-se que a infraestrutura viária de Goiás necessita do dobro, R$ 20 bilhões, para refazer a parte de asfalto que está velha (8 mil quilômetros) e a que ainda está no chão bruto (mais 8 mil km), além das duplicações (no mínimo, de Bela Vista a Catalão) e dos aeroportos (raríssimos são reconhecidos pela Anac). Para sonhos como a ferrovia moderna entre Goiânia e Brasília, a encarregada seria a iniciativa particular. Desse volume, o mais urgente seria resolvido com R$ 10 bilhões para 2027. O Estado tem? Não. É factível? Sim.

Nenhum corajoso disse até agora que vai reduzir os gastos com programas sociais de Caiado que Daniel herdou, quase sempre pagos em depósitos diretos na conta do beneficiário. Nem se fala mais em privatizar a Saneago, que daria uma folga nas contas. Ao mesmo tempo, como O HOJE publicou em recentes edições, as reformas feitas em prédios públicos precisam, com urgência, ser refeitas. A tecnologia da máquina pública, que vai da Agrodefesa à Secretaria de Economia, está mais para Bartolomeu Bueno da Silva que para Elon Musk.

Desde a volta das eleições diretas para governador, em 1982, Daniel é o quarto vice que assume mandato-tampão: Onofre Quinan ficou para Iris Rezende ser ministro da Agricultura, Alcides Rodrigues pegou o bastão de Marconi e se reelegeu, José Eliton herdou o caos e foi derrotado, agora é a vez de Daniel. O sufoco é regra, pois nada acontece de bom entre abril e outubro, é só data-base de categorias para honrar, fornecedores com contratos altíssimos, servidores cansados da mesmice, ex-ocupantes de cargo querendo mandar nos postos que deixaram.

Eventuais retaliações não atingem quem fala, mas quem governa
Para piorar, o governo federal está ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justamente no ano em que Caiado tenta de novo ser presidente. Se já vinham para Goiás apenas emendas parlamentares, imagine nestes tempos pré-votação… Com o antecessor de Daniel criticando Lula dia sim e outro também, eventuais retaliações não atingem quem fala, mas quem governa. Aí, nem R$ 10 bilhões, nem 1 bilhão, nem nada para fazer as obras necessárias. Daniel não pode fazer como é tradicional no MDB, passar a campanha toda sem estar nem aí para a eleição presidencial, já que tem compromisso com Caiado.

Em 1989, o governador Henrique Santillo apoiou Ulysses Guimarães no 1º turno. Perdeu. Em 1994 e 1998, Iris e Maguito Vilela ajudaram Fernando Henrique. Ganhou as duas. Em 2002, Marconi apoiou José Serra. Perdeu. Em 2006, Alcides Rodrigues apoiou Geraldo Alckmin. Perdeu. Em 2010, Alcides ficou no muro. Dilma Rousseff ganhou. Em 2014, Marconi apoiou Aécio Neves. Perdeu. Em 2018, José Eliton apoiou Alckmin. Perdeu. Em 2022, Caiado ficou com Jair Bolsonaro. Perdeu. Em 2026, chance de Daniel é Caiado voltar-se 100% para Goiás e apoiar sua reeleição ou se dedicar à Presidência e ser eleito. (Especial para O HOJE)

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