O Brasil pretende manter as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, afirmou nesta quinta-feira (4) o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em Paris, onde participa da reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chanceler disse à jornalistas que o governo seguirá apostando no diálogo com Washington e descartou.
A declaração ocorre após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgar os relatórios finais de duas investigações comerciais que atingem o Brasil. Uma delas concluiu que o país não adota mecanismos suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, o governo norte-americano propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, que pode ser somada a outra taxa que pode chegar a 25%.
Segundo Vieira, a disposição para negociar foi reforçada em uma conversa informal com o representante de Comércio Exterior dos EUA, Jamieson Greer, realizada nos corredores da OCDE.
“Ele se aproximou de mim e conversamos. Disse que estava tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu respondi que é do nosso interesse manter o diálogo, sobretudo após o anúncio dos relatórios finais das duas investigações sobre a Seção 301”, afirmou.
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Presidente Lula e Donald Trump reunidos durante agenda do brasileiro em Washington (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Vieira lembrou que, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA, em 7 de maio, os dois governos estabeleceram um prazo de 30 dias para o início das negociações sobre temas comerciais. “Ele disse que estava pronto para continuar essas conversas e que o diálogo sempre foi muito bom”, relatou o chanceler.
Ainda, segundo Vieira, o Brasil forneceu todas as informações solicitadas durante a investigação. “O que esperamos é que tudo isso seja levado em conta e que fique comprovado que não há razão para sermos alvo de tarifas, porque demonstramos que os argumentos apresentados não são legítimos”.


