A relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, atravessou um momento de tensão durante as discussões sobre a situação no Líbano. Em meio às tentativas de Washington de consolidar um entendimento com o Irã e evitar uma nova escalada regional, o líder norte-americano afirmou ter repreendido o aliado israelense.
O presidente Donald Trump, admitiu nesta quarta-feira (3) ter chamado o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de “louco” durante uma conversa telefônica sobre os ataques israelenses ao Líbano.
Na terça-feira (2), o site norte-americano Axios informou que Trump criticou duramente Netanyahu durante o telefonema e afirmou que o premiê israelense só não estaria preso graças ao apoio dos EUA. Segundo fontes ouvidas pela publicação, o republicano avaliou que uma ofensiva contra Beirute ampliaria o isolamento internacional de Israel.
De acordo com o site, Trump disse a Netanyahu: “Você está completamente louco. Você estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando a sua pele”. Segundo foi relatado ao veículo norte-americano, o presidente dos EUA estava “furioso” e chegou a gritar com o premiê israelense: “Que diabos você está fazendo?”.
Questionado sobre o episódio durante entrevista ao podcast “Pod Force One”, Trump confirmou o relato divulgado pelo Axios. Ao ser perguntado se havia chamado Netanyahu de “louco”, respondeu: “Sim, chamei”.
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Republicano ficou ‘pertubado’ com as ações israelenses
O presidente norte-americano afirmou que sua insatisfação estava relacionada às operações militares israelenses no Líbano. “Eu não diria irritado. Fiquei um pouco perturbado com suas constantes brigas com o Líbano, sabe? Em certo momento, eu disse: ‘Bibi, precisamos parar com isso’”, declarou.
Apesar do tom adotado na conversa, Trump procurou minimizar o impacto do desentendimento e destacou a relação que mantém com Netanyahu. Segundo ele, os dois líderes continuam trabalhando em conjunto. “Nós trabalhamos muito bem juntos. Eu gosto muito do Bibi, trabalhei muito bem com ele. Sabe, ele é um primeiro-ministro em tempo de guerra e eu sou um presidente em tempo de guerra”, afirmou.
Durante a entrevista, Trump voltou a defender sua decisão de iniciar a guerra contra o Irã e afirmou que a medida foi necessária para impedir que Teerã obtivesse armas nucleares. “Não quero aborrecer ninguém, mas comecei porque não podemos deixar que eles tenham uma arma nuclear. Isso se aplica a Israel porque eles provavelmente teriam sido os primeiros a serem atingidos. Não haveria Israel”, declarou.
Netanyahu minimiza desentendimento com Trump
As declarações ocorrem enquanto representantes de Israel e Líbano participam de negociações mediadas por Washington. A primeira rodada de conversas ocorreu na terça-feira (2), e continuaram nesta quarta-feira após avanços nas discussões.
Netanyahu minimiza episódio e afirma que ele e o republicano tem ‘divergências táticas’ (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)
As conversas acontecem em meio à continuidade dos confrontos entre Israel e o Hezbollah e às ameaças de ampliação das operações militares israelenses. O Irã sustenta que poderá abandonar o cessar-fogo caso os ataques ao Líbano continuem. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está pronta “para esmagar” Tel Aviv caso Beirute seja alvo de ataques.
Netanyahu minimizou o episódio. Em entrevista à CNBC, afirmou que ele e Trump mantêm convergência nas principais questões relacionadas ao Irã. “Às vezes temos, como nas melhores famílias, essas divergências táticas”, disse. “Sempre encontramos uma maneira de resolvê-los e fazemos isso como grandes amigos. Podemos discordar pela manhã e encontrar um terreno comum à tarde”.


