A primeira reunião ministerial do governo após a reforma administrativa promovida para acomodar as eleições de outubro acontece nesta quarta-feira (3) em um cenário de pressão política, corrida contra o tempo e atritos diplomáticos com os Estados Unidos.
A pouco mais de um mês do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne seus ministros para cobrar resultados, alinhar discursos e acelerar ações consideradas estratégicas para o governo antes do chamado período de defeso eleitoral.
A partir de julho, a legislação passa a limitar uma série de atos da administração pública, como campanhas institucionais, inaugurações de obras e repasses voluntários de recursos. O próprio presidente já demonstrou preocupação com os prazos e tem cobrado das equipes a conclusão de projetos e anúncios previstos para os próximos dias.
Além das questões eleitorais, a reunião ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Brasília e Washington. Nos últimos dias, o governo norte-americano anunciou a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
As duas medidas provocaram reação do Palácio do Planalto. Integrantes do governo atribuem os movimentos à influência da família Bolsonaro junto à administração do presidente Donald Trump e classificam as iniciativas como tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil.
Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que o encontro servirá para unificar a comunicação do governo diante das recentes crises e reforçar a divulgação de programas federais considerados prioritários para o período pré-eleitoral.
A estratégia inclui dar maior visibilidade a ações voltadas ao crédito, renegociação de dívidas, habitação, segurança pública e estímulo ao consumo. A avaliação de integrantes do governo é que a percepção da população sobre essas medidas será decisiva para o ambiente político dos próximos meses.
O encontro desta quarta também marca a consolidação da equipe ministerial que permanecerá no governo durante a disputa eleitoral, após a saída de auxiliares que deixaram os cargos para concorrer nas eleições deste ano.
