A proposta apresentada pelos Estados Unidos para taxar produtos brasileiros em 25% travou um embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nesta terça-feira (2), Lula responsabilizou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro pela pressão comercial americana, enquanto Flávio afirmou que o governo ainda tem tempo para negociar a medida com Washington.
A iniciativa partiu do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela política comercial americana. O documento divulgado pelo governo dos EUA aponta que uma investigação aberta em 2025 analisou temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Com base nessa investigação, o USTR propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida ainda não entrou em vigor e depende da decisão final do presidente Donald Trump.
Segundo informações divulgadas pelas agências Reuters e Associated Press (AP), o governo americano abriu uma consulta pública sobre o tema até 1º de julho. Além disso, uma audiência está prevista para o dia 6 de julho antes da definição sobre a adoção das tarifas. A proposta também prevê exceções para alguns setores, entre eles carne bovina, café, metais, energia e peças de aeronaves.
Lula e Flávio trocam acusações
Flávio Bolsonaro afirmou em entrevista à Rádio Itatiaia que pediu a autoridades americanas que os produtos brasileiros não fossem taxados. Em entrevista à CNN Brasil, o senador declarou que Lula ainda teria prazo para negociar diretamente com o governo dos Estados Unidos.
“Lula tem mais esse tempo para ir lá e negociar, para defender as empresas brasileiras, valorizar o nosso agro”, afirmou o parlamentar.
A troca de acusações ocorre após uma série de encontros entre integrantes da família Bolsonaro e autoridades americanas. Na semana passada, Flávio Bolsonaro esteve em Washington e se reuniu com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Segundo o senador, durante as reuniões ele também solicitou que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Dias depois, o Departamento de Estado americano anunciou a inclusão das duas facções na lista de grupos classificados como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
De acordo com O Estadão, durante uma cerimônia realizada em Catalão (GO), Lula reagiu às declarações de Flávio Bolsonaro e acusou integrantes da família do ex-presidente de atuarem contra os interesses do Brasil nas negociações com os Estados Unidos. Ao comentar o tema, o presidente afirmou que a proposta de taxação pode atingir empresas brasileiras e setores da economia nacional.
“Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores”, declarou. Em outro trecho do discurso, Lula também chamou o senador de “covarde”.
O presidente ainda relembrou um encontro que teve com Donald Trump em maio deste ano. Segundo Lula, na ocasião foram apresentados documentos para contestar argumentos utilizados pelos Estados Unidos sobre a relação comercial entre os dois países. O chefe do Executivo afirmou que o governo brasileiro tem enviado manifestações às autoridades americanas e divulgado informações na imprensa internacional para defender a posição do Brasil nas negociações comerciais.
