Goiás registrou uma redução de 44% na área desmatada em 2025 em comparação com o ano anterior. Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2025), divulgado pela rede MapBiomas, e colocam o Estado entre os destaques nacionais na redução da supressão da vegetação nativa. Na comparação com 2023, a queda chegou a 84,1%. O resultado ocorre em um cenário de fortalecimento da fiscalização ambiental, ampliação do monitoramento remoto e maior aproximação entre o poder público e o setor produtivo. Segundo o levantamento, Goiás também está entre os Estados com maior sobreposição entre áreas desmatadas e ações de fiscalização, alcançando índice de 65,2%. Ao todo, foram registrados 10.983 hectares de áreas desmatadas no Estado em 2025. O número inclui tanto supressões autorizadas dentro das regras do Código Florestal quanto casos de desmatamento ilegal. Outro dado destacado pelo relatório mostra que, entre 2019 e 2025, 71,3% de toda a área desmatada em Goiás possuía autorização ambiental ou foi alvo de fiscalização, com aplicação de multas e embargos. Para a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, a redução é resultado de uma estratégia construída nos últimos anos com foco na cooperação entre governo e produtores rurais. “O setor produtivo é o nosso maior aliado na busca pelo objetivo de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Apostamos no diálogo e fomos bem-sucedidos. Existe hoje, entre todos nós, o consenso de que é possível se desenvolver de forma sustentável, sem comprometer a biodiversidade”, afirma. A queda do desmatamento em Goiás supera a média registrada no Cerrado, principal bioma do Estado. Enquanto o território goiano apresentou redução de 44%, o bioma registrou diminuição de 16,9% no mesmo período. Nacionalmente, a área desmatada caiu 20,6%, ficando abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez.
Desmatamento ilegal em Goiás
Um dos principais fatores apontados pelo governo para explicar os resultados foi a assinatura do Pacto pelo Desmatamento Ilegal Zero 2030, firmado em setembro de 2023 entre o Governo de Goiás e representantes do setor produtivo. O acordo estabeleceu o compromisso de eliminar a supressão ilegal de vegetação até o final da década. Segundo a Semad, o avanço dos indicadores não ocorreu por meio do endurecimento da legislação ambiental, mas sim pela construção de uma relação de confiança entre produtores e Estado. “Os números melhoraram porque Goiás adotou uma estratégia diferente de outras unidades da Federação, pautada sobretudo no diálogo com o setor produtivo”, informou a secretaria. Como contrapartida ao compromisso dos produtores em cumprir a legislação ambiental, o governo acelerou a análise de processos de licenciamento. Hoje, segundo a pasta, os pedidos levam em média cerca de 30 dias para serem avaliados. A expectativa é que a redução da burocracia desestimule práticas irregulares e incentive a busca pelos procedimentos legais antes da realização de qualquer intervenção em áreas de vegetação nativa. Outro pilar da estratégia estadual foi o fortalecimento da estrutura de monitoramento ambiental. Nos últimos anos, a Semad realizou concurso público e incorporou mais de 100 novos analistas e técnicos ambientais ao quadro de servidores. Além disso, o Estado ampliou os investimentos em sistemas de monitoramento via satélite, que permitem identificar alterações na cobertura vegetal com maior rapidez e precisão. O cruzamento entre tecnologia e fiscalização em campo aumentou a capacidade de resposta dos órgãos ambientais e ampliou o alcance das ações de controle em todo o território goiano. Além da fiscalização, Goiás passou a apostar em mecanismos de incentivo à conservação ambiental. Um dos exemplos é o programa PSA Cerrado em Pé, que remunera produtores rurais que optam por preservar áreas de vegetação nativa. A iniciativa começou a ser implantada em municípios do Nordeste goiano e recebeu investimento superior a R$ 17 milhões. A proposta busca valorizar economicamente a preservação ambiental, criando alternativas para que os produtores mantenham áreas protegidas sem abrir mão da sustentabilidade financeira das propriedades. O RAD 2025 também avaliou a transparência dos Estados na divulgação de informações sobre combate ao desmatamento. Goiás recebeu nota máxima nos dois critérios analisados. O Estado foi reconhecido pela disponibilização de dados públicos atualizados sobre autuações e embargos ambientais, além da oferta de informações georreferenciadas que permitam identificar localização, datas e características das infrações. Leia também: Aparecida passa a oferecer nova vacina que amplia proteção de crianças contra doenças pneumocócicas


