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Presidente boliviano reduz próprio salário em meio a onda de protestos

Administrador Por Administrador
26 de maio de 2026
Em Mundo
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Presidente boliviano reduz próprio salário em meio a onda de protestos

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Milhares de manifestantes ocuparam as ruas de La Paz nesta segunda-feira (25) para exigir a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em meio ao avanço da crise política e econômica no país. Os atos chegaram à quarta semana consecutiva com bloqueios em rodovias, paralisações e denúncias de falta de alimentos, combustíveis e medicamentos em diferentes regiões bolivianas.

O movimento começou no início de maio após uma convocação da Central Operária Boliviana (COB), principal entidade sindical do país. Desde então, grupos ligados a sindicatos e movimentos sociais mantêm cerca de cinquenta bloqueios em estradas estratégicas, afetando o abastecimento principalmente em La Paz e El Alto. Os manifestantes rejeitam as reformas econômicas propostas pelo governo, cobram reajustes salariais e responsabilizam a gestão pela distribuição de gasolina de baixa qualidade, que teria causado danos em milhares de veículos.

A deterioração econômica aprofundou o desgaste do governo de Rodrigo Paz, eleito há apenas seis meses. A Bolívia enfrenta a pior crise financeira das últimas quatro décadas, impulsionada pela escassez de dólares, pela inflação e pela dificuldade de importação de produtos básicos. Em abril, a inflação acumulada atingiu 14% na comparação anual, enquanto postos de gasolina, mercados e hospitais passaram a enfrentar problemas constantes de abastecimento.

Nas últimas semanas, longas filas se formaram em postos de combustíveis e centros de distribuição de alimentos. Hospitais também relataram dificuldades para obter medicamentos e insumos. O aumento dos bloqueios intensificou a pressão sobre o governo, que tenta conter o avanço das manifestações sem conseguir restabelecer totalmente a circulação de mercadorias.

O ex-presidente do país, Evo Morales, defende a convocação de novas eleições presidenciais em 90 dias (Foto: Reprodução/ @evoespueblo)
 

Leia mais: Bolívia enfrenta escalada de protestos em meio a crise econômica

 

Durante uma cerimônia oficial em Sucre, Rodrigo Paz anunciou a redução de 50% do próprio salário e dos vencimentos de seus ministros. Segundo o presidente, a medida representa um gesto de “compromisso com o país” diante do agravamento da crise.

Ex-presidente da Bolívia pede novas eleições
O presidente acusa o ex-mandatário Evo Morales de incentivar os atos e de tentar desestabilizar o governo. A administração boliviana denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA) e afirmou que os protestos ameaçam a ordem democrática do país.

No domingo (24), Evo Morales defendeu a convocação de novas eleições presidenciais em até 90 dias. Durante seu programa semanal na rádio Kawsachun Coca, o ex-presidente afirmou que a saída para evitar violência passa pela renúncia de Rodrigo Paz e pela formação de um governo de transição.

“Paz tem 2 caminhos: uma decisão suicida: militarizar, ou a pacificação, transição, eleição em 90 dias. [….] Para que não haja mortos, para que não haja feridos, a pacificação passa por sua renúncia e que um presidente de transição convoque eleições nesse prazo”, declarou.

Morales governou a Bolívia entre 2006 e 2019 e deixou o cargo após denúncias de fraude eleitoral durante sua tentativa de reeleição. Impedido de disputar a eleição presidencial de 2025 por decisão constitucional que limitou novas candidaturas consecutivas. Já Rodrigo Paz venceu a disputa presidencial de outubro de 2025 contra Jorge Tuto Quiroga e encerrou quase vinte anos de governos ligados à esquerda no país.

Ainda, a crise boliviana mobilizou apoio internacional. No sábado (23), os EUA anunciaram o envio de ajuda alimentar e apoio logístico à Bolívia. Em publicação na rede social X, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental informou que o governo Trump pretende auxiliar as populações afetadas pelos bloqueios de estradas.

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