A greve dos trabalhadores da rede municipal de Educação de Goiânia segue provocando impactos em dezenas de escolas da capital e afetando milhares de estudantes. O movimento, iniciado na terça-feira (12), chegou ao quarto dia nesta sexta-feira (15), sem acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) e a Prefeitura de Goiânia.
Enquanto os profissionais cobram valorização salarial, reajustes e mudanças no plano de carreira, a administração municipal tenta garantir o funcionamento mínimo das unidades escolares durante a paralisação.
Segundo o Sintego, cerca de 50 escolas aderiram totalmente ao movimento, enquanto outras 50 unidades funcionam parcialmente. A estimativa é de que aproximadamente 23 mil alunos sejam impactados pela greve. Apesar disso, a Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que ainda não possui um levantamento oficial sobre o número de profissionais paralisados nem sobre as unidades afetadas.
De acordo com o sindicato, a paralisação mobiliza cerca de quatro mil trabalhadores da Educação. Entre as principais reivindicações da categoria estão o reajuste do piso salarial do magistério, o pagamento das progressões de carreira, a reformulação do plano de carreira dos servidores administrativos, a convocação de concursados, a aplicação das leis de enquadramento e descongelamento, além da melhoria das condições de trabalho nas escolas.
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Justiça determina funcionamento mínimo nas escolas
Diante da greve, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou a manutenção mínima de parte dos serviços considerados essenciais. A decisão estabelece que ao menos 70% dos servidores administrativos permaneçam em atividade, especialmente nas unidades de educação infantil e nos serviços de alimentação escolar.
Além disso, o TJGO determinou que o Sintego apresente um plano mínimo de continuidade das atividades educacionais. Segundo a Prefeitura de Goiânia, o documento ainda não havia sido oficialmente entregue até os últimos dias.
O advogado setorial da Secretaria Municipal de Educação, Kaio Ygor Paulino da Silva, afirmou que a decisão reconhece o direito constitucional de greve, mas também busca garantir que os serviços essenciais não sejam totalmente interrompidos.
Segundo ele, a prefeitura ainda não recebeu a lista oficial de servidores participantes da paralisação, nem a ata da assembleia que aprovou o movimento grevista. Mesmo assim, a SME criou um grupo de gestão estratégica para monitorar o funcionamento das escolas e acompanhar os impactos da greve em diferentes regiões da capital.
A decisão judicial também prevê multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento das determinações estabelecidas pelo tribunal.
Sindicato mantém mobilização e cobra avanços
O Sintego afirma que a greve é resultado da falta de avanços nas negociações com a gestão municipal ao longo do último ano. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o sindicato destacou que a proposta apresentada pela Prefeitura em relação ao piso do magistério não contempla todas as reivindicações da categoria, principalmente porque o reajuste teria sido encaminhado sem pagamento retroativo.
A entidade também reclama da sobrecarga de trabalho nas escolas, da superlotação das salas de aula, do excesso de plataformas administrativas e da falta de valorização dos servidores administrativos.
Mesmo durante a paralisação, as secretarias das unidades escolares seguem abertas para atendimento à população. Além disso, o sindicato mantém atividades de mobilização em Goiânia, incluindo panfletagens em feiras livres e terminais de ônibus para explicar à população os motivos da greve.
A presidente em exercício do Sintego, Ludmylla Morais, afirma que o movimento sempre respeitou os limites legais em paralisações anteriores e defende que a greve busca garantir melhorias para toda a rede municipal de ensino.
Impactos preocupam pais e comunidade escolar
Com a continuidade da greve, cresce a preocupação de pais e responsáveis com a rotina escolar dos estudantes. Em algumas unidades, as aulas foram suspensas completamente, enquanto outras mantêm parte dos serviços funcionando parcialmente.
A Secretaria Municipal de Educação reforça que acompanha diariamente a situação das escolas e afirma trabalhar para garantir a continuidade das atividades consideradas essenciais. Já o sindicato diz permanecer aberto ao diálogo, desde que a Prefeitura apresente propostas concretas que possam ser debatidas e votadas pela categoria em assembleia.
Enquanto as negociações seguem sem definição, milhares de estudantes da rede municipal continuam enfrentando incertezas sobre o calendário escolar e a normalização das aulas em Goiânia.










