Eduardo Bolsonaro aparece como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com atribuições ligadas à gestão financeira, articulação com investidores e estratégias de captação de recursos, segundo contrato e mensagens divulgados pelo Intercept Brasil e repercutidos por outros veículos nesta quinta-feira (15).
Os documentos, assinados digitalmente em janeiro de 2024, contradizem declaração feita por Eduardo nas redes sociais, na qual afirmou ter apenas cedido direitos de imagem para o projeto, sem participação em funções de gestão.
De acordo com o contrato, a produtora GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, conduziria o longa ao lado de Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ambos identificados como produtores-executivos. O texto estabelece que eles atuariam em conjunto no desenvolvimento do projeto, incluindo “considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme”, elaboração de materiais para investidores, busca por fontes de financiamento, incentivos fiscais, patrocínios e ações de colocação de produtos.
Flávio Bolsonaro também surgiu nas reportagens como articulador político e financeiro nas negociações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Áudios divulgados nesta semana mostram o senador tratando diretamente de repasses para a produção e mencionando valores que, segundo as apurações, chegaram a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. O material indica ainda que Flávio pressionava pela liberação de recursos para cumprir o cronograma de produção do longa, previsto para 2026.
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O que diz o contrato
Na época da assinatura, o projeto ainda tinha o título “O Capitão do Povo” e previa a cessão dos “direitos de história de vida” de Jair Bolsonaro para a produção. Os documentos apontam que Eduardo teria participação formal nas decisões sobre obtenção, estruturação e aplicação de recursos, embora não detalhem publicamente quais tarefas foram efetivamente executadas por cada integrante.
A defesa de Mario Frias afirmou ao Intercept que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e declarou também que ele “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento”. Eduardo e Flávio Bolsonaro não responderam aos questionamentos enviados até a publicação das reportagens.
Mensagens tratam de recursos nos Estados Unidos
Além do contrato, trocas de mensagens reveladas pela reportagem mostram Eduardo discutindo alternativas para viabilizar recursos nos Estados Unidos. Em uma das conversas, ele afirma: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA”, ao citar obstáculos operacionais e o prazo para remessas financeiras feitas a partir do Brasil.
As mensagens foram repassadas pelo empresário Thiago Miranda ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontado nas reportagens como potencial financiador do projeto. Segundo Reuters e Associated Press, a apuração também envolve questionamentos sobre a origem dos recursos, a forma como os valores seriam transferidos e a destinação final do dinheiro ligado à produção do filme.










