Bruno Goulart
A troca frequente de deputados por suplentes na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) tem chamado a atenção nesta legislatura. À primeira vista, pode parecer apenas uma substituição normal, prevista na lei. No entanto, por trás desse movimento existe uma estratégia política bem definida, usada pelos partidos para dar espaço e visibilidade a nomes que não foram eleitos diretamente.
Na prática, funciona como um rodízio. O deputado titular se afasta por licença, o primeiro suplente assume e, em alguns casos, também se afasta para que o segundo suplente ocupe a vaga. Assim, mais pessoas do mesmo grupo político passam pelo cargo, mesmo que por pouco tempo.
Alguns exemplos ajudam a entender. Luiz Sampaio assumiu a vaga da Delegada Fernanda, que estava no lugar do titular, o deputado Cristiano Galindo, todos do Solidariedade. No Podemos, Léo Portilho entrou no lugar do deputado estadual Henrique César. Dr. Rodrigo Fernandes ocupou a cadeira de André do Premium como segundo suplente, quando os dois eram do Avante. Depois, o titular da vaga, André do Premium, migrou para o União Brasil.
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Já o deputado Eliel Júnior, do Solidariedade, tomou posse em abril no lugar de Coronel Adailton e deve ficar no cargo por 120 dias. Todos esses casos mostram como a alternância tem sido usada na prática.
Segundo o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, esse tipo de substituição é legal e faz parte do sistema democrático. “A suplência também vem do voto. Essas pessoas foram escolhidas pelos eleitores e têm o direito de assumir quando surge a oportunidade”, explica.
Fazer mais do que substituir
Mesmo assim, Fulquim destaca que quem entra no lugar do titular tenta fazer mais do que apenas substituir. “O suplente quer mostrar serviço. Ele busca apresentar projetos, falar na tribuna e dar respostas aos eleitores sobre o que prometeu na campanha”, afirma.
Além disso, Fulquim avalia que essa troca pode abrir espaço para novas ideias. “Quando muda a pessoa, podem surgir pautas diferentes. Nem sempre o suplente segue exatamente o mesmo caminho do titular”, diz. Por outro lado, o mestre em Comunicação reconhece que existe interesse político por trás. “Os partidos usam essas vagas para fortalecer suas alianças e negociar espaços”, completa.
O estrategista político Marcos Marinho concorda e vai além. Marino afirma que esse tipo de situação já é combinado antes mesmo da eleição. “São acordos feitos na formação da chapa. Os candidatos entram sabendo que podem ter uma chance de assumir, mesmo que não sejam eleitos”, explica.
De acordo com Marinho, isso ajuda a manter todos motivados durante a campanha. “O candidato se empenha mais quando sabe que pode ter uma oportunidade depois”, diz. Para o estrategista político, a suplência funciona como uma vitrine. “É um momento para aparecer, ganhar visibilidade e mostrar trabalho, mesmo que o tempo seja curto”, afirma.
Impacto pequeno
Apesar disso, o impacto para a população costuma ser pequeno. “Geralmente, o período é curto e não dá tempo de aprovar projetos importantes”, avalia. Ainda assim, Marinho ressalta que os suplentes podem levantar temas relevantes. “Mesmo sem grandes mudanças, eles conseguem dar visibilidade a algumas causas”, explica.
Outro ponto importante é o ganho político para os próprios partidos. Ao permitir que vários nomes ocupem a vaga, a legenda amplia sua presença e fortalece seu grupo. “Essas pessoas ficam mais conhecidas, ganham experiência e aumentam as chances nas próximas eleições”, observa Marinho. (Especial para O HOJE)










