Bruno Goulart
A definição do candidato a vice na chapa governista em Goiás deve ficar apenas para agosto, já próximo das convenções partidárias. A decisão, conduzida pelo governador Daniel Vilela (MDB) e pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à presidência, segue uma estratégia clara: dar tempo para que os nomes em disputa ganhem força política e mostrem capacidade de agregar à chapa.
Nos bastidores, a avaliação é de que o vice deve sair de dois segmentos principais: o agronegócio ou o eleitorado evangélico. A escolha leva em conta o peso eleitoral desses grupos. Enquanto o agro tem forte presença no interior, com sindicatos e lideranças espalhadas por todo o Estado, os evangélicos concentram grande influência, sobretudo na Região Metropolitana de Goiânia.
Segundo fontes próximas ao governo ouvidas pelo O HOJE, o adiamento não é por falta de opção, mas sim por estratégia. “Há bons nomes. Esse tempo até as convenções permite uma escolha mais madura e natural”, afirmou um aliado. A leitura dentro da base é de que antecipar a definição pode ser um erro. Interlocutores apontam que partidos como PL e PSDB se adiantaram e acabaram por limitar o surgimento de novas alternativas.
José Mário
Entre os nomes do agro, ganha destaque José Mário Schreiner (PSD), presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Sebrae. Schreiner já foi deputado federal e tem forte inserção no setor. Para o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG) Felipe Fulquim, essa é uma vantagem importante. “Ele tem penetração em um segmento muito organizado e presente em todo o Estado. Isso pesa bastante”, explica. Nos bastidores, Schreiner é visto como o candidato mais provável para a vice-governadoria.
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Fulquim também aponta que José Mário pode ajudar a reaproximar o governo do setor agropecuário, especialmente após o desgaste com a “Taxa do Agro”. Por outro lado, o mestre em Comunicação ressalta uma limitação: a dificuldade de dialogar com outros públicos. “Ele não tem o mesmo alcance fora do agro, o que pode restringir seu potencial eleitoral”, avalia.
Luiz do Carmo
No campo evangélico, o principal nome é o do ex-senador Luiz Carlos do Carmo (PSD). Com forte ligação com igrejas e lideranças religiosas, o político tem como trunfo a capilaridade nesse segmento. Além disso, traz a experiência de ter atuado no Senado. Ainda assim, também enfrenta desafios. Segundo o especialista, Luiz Carlos não ocupou posições de destaque no governo estadual, o que pode pesar na decisão.
Gustavo Mendanha
Outros nomes seguem na disputa, embora com menor força neste momento. O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), ainda tenta se viabilizar, mas enfrenta dificuldades após mudar o foco, já que antes Mendanha pretendia disputar o Senado. Além disso, sua base na Região Metropolitana perde peso diante do número de prefeitos já alinhados ao grupo governista.
Alexandre Baldy
Já Alexandre Baldy (PP) entrou mais tarde na disputa e, nos bastidores, sinaliza maior interesse em uma vaga de suplente no Senado. O programa habitacional que marcou sua gestão à frente da Agência Goiana de Habitação (Agehab) também não deve gerar o retorno político esperado, segundo avaliação interna.
Bruno Peixoto
O presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (UB), aparece como opção com base em seu capital político. O deputado estadual conta com apoio de deputados e prefeitos e construiu presença no interior. Para Fulquim, essa é uma de suas principais vantagens. No entanto, Bruno não é visto como prioridade para o Executivo. “Ele pode ter mais espaço em uma disputa para deputado federal”, aponta.
Adriano Rocha Lima
Outro nome lembrado é o do ex-secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, considerado um dos mais próximos de Caiado. O ex-integrante da gestão estadual foi peça-chave na administração e deve atuar na formulação do plano de governo nacional. Sua principal força é a confiança de Caiado. Por outro lado, não tem base eleitoral consolidada nem ligação direta com segmentos organizados, o que pesa contra.
Além da eleição de 2026, a escolha do vice também mira o futuro. Caso Daniel Vilela vença, o nome escolhido pode se tornar peça-chave na sucessão de 2030. Por isso, a decisão envolve não apenas potencial de votos, mas também alinhamento político e confiança dentro do grupo. (Especial para O HOJE)










