A guerra no Oriente Médio avançou nesta quinta-feira (9) sob pressão crescente sobre as negociações com os Estados Unidos e Israel e novos desdobramentos militares e políticos envolvendo o Estreito de Ormuz e os bombardeios no Líbano.
O cenário de instabilidade foi agravado pela ofensiva israelense na quarta-feira (8), após acordo de cessar-fogo na noite de terça-feira (7), considerada a mais intensa desde o início dos confrontos. Em um intervalo de dez minutos, 160 mísseis atingiram o território libanês, deixando ao menos 254 mortos e 890 feridos, segundo o governo local. O Exército de Israel admitiu que atacou áreas densamente povoadas e alegou que integrantes do Hezbollah estavam entre civis, além de afirmar que houve avisos prévios para evacuação.
A resposta do Irã veio no campo político e militar. Também na quarta-feira, Teerã voltou a fechar o Estreito de Ormuz em retaliação aos bombardeios e anunciou rotas alternativas para navegação, em meio ao risco de minas navais. Já nesta quinta, dados de monitoramento indicaram uma queda drástica no fluxo marítimo: apenas seis navios cruzaram a região nas últimas 24 horas, frente a uma média de cerca de 140 por dia.
Em meio à escalada, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a ação israelense representa uma violação do cessar-fogo firmado com os Estados Unidos e colocou em dúvida a continuidade das negociações. “O novo ataque do regime sionista ao Líbano é uma violação flagrante do acordo inicial de cessar-fogo. Isso é um sinal perigoso de engano e falta de compromisso com os acordos potenciais. A continuação dessas ações tornará as negociações sem sentido. Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”.
Líbano sob ataque isralense (Foto: Reprodução/ @netanyahu)
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Líder supremo do Irã promete vingança pela morte de Ali Khamenei
Ainda nesta quinta, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, se pronunciou pela primeira vez desde o cessar-fogo. Ele afirmou que a administração do Estreito de Ormuz entrará em uma “nova fase” e indicou que o país buscará compensações pelos danos causados durante a guerra. Khamenei também prometeu vingança pela morte de seu pai, Ali Khamenei, atingido no primeiro dia de ataque, em 28 de fevereiro, mas não detalhou as medidas que pretende adotar.
Na mesma linha, o líder fez um apelo à população e a países vizinhos do Golfo Pérsico, com críticas indiretas às alianças regionais. “Aos vizinhos do sul do Irã, eu digo: vocês estão presenciando um milagre, então vejam direito, compreendam e se posicionem no lugar correto, e sejam céticos em relação às promessas falsas dos demônios desconfiados”.
Tropas dos EUA continuam no Oriente Médio até acordo definitivo
Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump afirmou que manterá tropas na região até que haja um acordo considerado definitivo e reforçou o tom de ameaça. “Se, por qualquer motivo — o que é altamente improvável — isso não acontecer, então ‘os ataques vão começar’, maiores, melhores e mais intensos do que qualquer um já viu antes”.
Em paralelo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que orientou o início de negociações diretas com o Líbano, com foco no desarmamento do Hezbollah e na tentativa de estabelecer relações pacíficas.
Com múltiplas frentes abertas e desconfiança entre os envolvidos, o andamento da guerra no Irã mantém o Oriente Médio em estado de alerta. Apesar da tensão, um encontro entre representantes de Teerã e Washington está mantido para sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão, na tentativa de avançar para um acordo definitivo.










