Donald Trump anunciou nesta terça-feira (7/4) que adiou por duas semanas os ataques planejados contra o Irã, após pedido de autoridades do Paquistão, que mediam conversas indiretas entre os dois países. O presidente americano havia dado até as 21h desta terça, no horário de Brasília, para que o Irã chegasse a um acordo e reabrisse o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial.
Em publicação no Truth Social, Trump anunciou a suspensão. “Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, escreveu. O presidente alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo estão avançadas. Segundo ele, o Irã apresentou uma proposta de paz com 10 pontos, considerada base viável para negociação, com quase todos os pontos de divergência já acordados. “Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”, declarou. O Irã não havia se pronunciado até o fechamento desta reportagem.
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O que aconteceu antes do anúncio de Trump
Horas antes do prazo expirar, bombardeios já haviam sido registrados na região. Os Estados Unidos atacaram a ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido pelo Irã, poupando as áreas petrolíferas. Israel, por sua vez, afirmou ter realizado “amplos ataques” no território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios, incluindo uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do país, e uma petroquímica.
O Irã reagiu convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e afirmando que a fase de “boa vizinhança” com países do Golfo havia chegado ao fim. Ataques foram lançados contra Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
Os riscos que assustaram o mundo
As ameaças de Trump elevaram a tensão internacional e levantaram alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques a alvos civis. Um eventual bombardeio a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas. Havia também o temor de que ataques a instalações nucleares provocassem um acidente radiológico com impactos além das fronteiras do Irã. Teerã havia sinalizado ainda a possibilidade de retaliar atingindo refinarias de petróleo e usinas de dessalinização em países do Golfo, colocando em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região.










