Estudantes do curso de Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG) ocuparam o prédio da Faculdade de Educação para denunciar supostos casos de violência, assédio sexual, violência de gênero e uma possível omissão institucional dentro do ambiente acadêmico. O material, compartilhado com o jornal O HOJE, reúne manifesto, notas públicas, registros de assembleia e imagens de protestos realizados dentro da unidade.
A mobilização começou após o surgimento de cartas anônimas expondo professores por supostas condutas agressivas contra mulheres, em um contexto que, segundo as denunciantes, revelaria “falta de posicionamento efetivo” da universidade. A ação estudantil teve início depois que duas cartas foram encontradas nos banheiros da Faculdade de Educação nos dias 25 e 30 de março.
Os documentos denunciam um ex-coordenador por suspeita de assédio contra alunas e possível violência doméstica contra a ex-companheira. O educador responde a um processo vinculado à Lei Maria da Penha no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). O caso tramita em sigilo.
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As estudantes afirmam que há um histórico de silêncio em torno das denúncias. “Diante do silêncio de muitos, a presente carta se estrutura para iluminar alguns fatos escondidos embaixo dos panos”, diz o texto.
Outro trecho reforça o clima de insegurança: “Não contamos sobre a situação. Não conta sobre a história dessas mulheres. Não conta sobre a manipulação, sobre abusos sexuais, físicos e psicológicos”.
As autoras defendem que a violência de gênero não pode ser tratada como casos isolados. “Violência de gênero é uma estrutura de uma sociedade misógina e machista”, afirmam.
Posição do Centro Acadêmico
O Centro Acadêmico de Psicologia afirma, em nota, que repudia “os processos violentos que cercam a Faculdade de Educação e o curso de Psicologia”. Segundo o texto, denúncias anônimas recentes apontam a permanência de “docentes assediadores e agressores”.
A entidade afirma ainda que haveria um entrave institucional que mantém esses homens nos espaços acadêmicos. “Existe um entrave institucional e burocrático que mantém esses agressores próximos”, diz a nota.
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Em uma nota pública conjunta, mulheres relatam supostas experiências de violência em diferentes contextos. “Somos três mulheres que vivenciaram essas situações em diferentes espaços e que decidiram torná-las públicas”, afirmam.
As denunciantes destacam que o objetivo é proteger outras mulheres e romper o silêncio. “Nosso corpo e nossas histórias não podem ser submetidos ao silêncio protetor de estruturas que blindam os seus e descartam as que sofrem”, diz o texto.
O documento também critica tentativas de deslegitimar denúncias com base em questões pessoais ou de saúde. “Repudiamos qualquer tentativa de utilizar condições de saúde ou aspectos da vida pessoal para desqualificar denúncias.”
Outro ponto destacado é o caráter estrutural da suposta violência. “As experiências que vivenciamos não são casos isolados. Elas expressam um padrão de violência”, afirmam.
Posicionamento da UFG
Em nota enviada à reportagem, a UFG informou que duas denúncias foram registradas contra um dos docentes. No entanto, segundo a instituição, nenhum caso de assédio havia sido formalmente registrado na ouvidoria da instituição, que é o canal legal para esse tipo de notificação. Leia abaixo a nota completa:
“Duas denúncias contra um docente da Faculdade de Educação (FE) foram registradas perante a Ouvidoria da Universidade Federal de Goiás (UFG), ambas nesta semana. A UFG possui normativa que orienta a comunidade acadêmica a formalizar toda denúncia de assédio na Ouvidoria, por ser o meio legalmente previsto para a apuração dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos.
Após o recebimento, as denúncias são encaminhadas pela Ouvidoria aos órgãos competentes. O afastamento de qualquer servidor depende, após a formalização da denúncia, de análise pelos órgãos competentes, seguindo o devido processo legal.
A direção da Faculdade de Educação informa que não haverá paralisação das aulas. Uma ação conjunta da direção da FE, da Ouvidoria e da Secretaria de Inclusão da Universidade já está sendo desenvolvida, incluindo atividades de acolhimento e diálogo sobre assédio moral e sexual na unidade nos próximos dias.
O canal oficial de recebimento de denúncias na Ouvidoria da UFG é a Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação – Fala.BR (acessível pelo link falabr.cgu.gov.br). A plataforma garante o anonimato do denunciante, o acompanhamento das respostas institucionais e o cumprimento dos prazos estabelecidos na legislação”.










