As tensões em torno do Estreito de Ormuz voltaram a escalar no fim de semana, após novas ameaças, outro adiamento na votação no Conselho de Segurança da ONU e novos ataques iranianos contra instalações energéticas no Golfo Pérsico. A passagem marítima, considerada uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo, permanece sob forte restrição de tráfego desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado no final de fevereiro.
O presidente Donald Trump voltou a pressionar Teerã a reabrir a rota marítima e afirmou que poderá ordenar ataques contra infraestrutura estratégica iraniana caso a navegação não seja normalizada. Em publicação na rede Truth Social, o líder ameaçou bombardear pontes e usinas de energia no país.
“Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”, escreveu.
A mensagem reforça o ultimato anunciado pelo norte-americano no sábado (4), quando Trump afirmou que o “tempo está se esgotando — 48 horas antes de todo o inferno desabar sobre eles”. Segundo ele, novos ataques poderão ocorrer caso a passagem continue restrita à navegação comercial.
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O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra o escoamento de petróleo de grandes produtores do Oriente Médio. Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pela rota, o que faz com que qualquer interrupção no tráfego provoque impacto imediato no mercado internacional de energia.
Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)
Votação na ONU sobre o Estreito de Ormuz é adiada novamente
Enquanto cresce a pressão militar, a tentativa de resposta diplomática segue travada no Conselho de Segurança da ONU. Diplomatas informaram no sábado (4) que a votação de uma resolução que pode autorizar o uso da força para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz foi adiada novamente.
Inicialmente prevista para sexta-feira (3) e depois remarcada para sábado, a análise foi transferida para a próxima semana diante da falta de consenso entre os membros permanentes do conselho. O texto em discussão prevê que países possam utilizar “todos os meios defensivos necessários” para garantir a segurança de navios que transitam pela região.
A proposta enfrenta resistência entre membros permanentes do conselho. A China, que possui poder de veto, já declarou oposição à autorização militar. França e Rússia também indicaram que podem barrar a medida.
Antes mesmo de uma decisão no Conselho de Segurança, o governo iraniano criticou a possibilidade de aprovação da medida. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou na sexta-feira que uma autorização da ONU para o uso da força seria considerada uma escalada do conflito.
“Qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, em relação à situação no Estreito de Ormuz, só irá complicar ainda mais a situação”, declarou.
Irã ataca instalações estratégicas no Golfo Pérsico
Enquanto o impasse diplomático persiste, o conflito registrou novos episódios militares no domingo. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou ataques contra instalações de combustível e petroquímicas em países do Golfo Pérsico, incluindo Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Segundo a mídia estatal iraniana, a ação foi apresentada como resposta a um bombardeio israelense contra um complexo petroquímico em Mahshahr e a um ataque a uma ponte próxima a Teerã. De acordo com autoridades iranianas, a retaliação que ocorreu no domingo foi a “primeira fase” da resposta.










