O mercado brasileiro de carne suína atravessa um ciclo de expansão produtiva com impactos diretos sobre preços e consumo. Em 2025, o setor atingiu recordes históricos, enquanto o início de 2026 revela um cenário de excesso de oferta e expectativa de reação após a Quaresma, quando tradicionalmente há retração no consumo de carnes.
Produção recorde coloca Brasil entre líderes globais
A suinocultura brasileira consolidou em 2025 um dos melhores resultados de sua história. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o abate chegou a 60,69 milhões de cabeças, alta de 4,3% em relação a 2024 . Em volume, a produção ficou próxima de 5,6 milhões de toneladas, mantendo crescimento consistente anual .
O desempenho reflete ganhos de produtividade, avanço tecnológico e melhoria genética, além da profissionalização da cadeia. Com isso, o Brasil se consolida como um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, ampliando sua competitividade no cenário internacional.
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Exportações batem recorde e diversificam mercados
No mercado externo, o avanço também foi expressivo. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, as exportações somaram 1,51 milhão de toneladas em 2025, crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior . A receita ultrapassou US$ 3,6 bilhões, com alta de 19,3%.
O setor passou por uma mudança relevante nos destinos. As Filipinas lideraram as compras, seguidas por mercados como Japão e Chile, enquanto a China reduziu participação. Essa diversificação reduz riscos e amplia a estabilidade das exportações brasileiras.
Em 2026, o ritmo segue positivo: apenas em janeiro, os embarques superaram 100 mil toneladas, com crescimento de 14,2% frente ao mesmo período do ano anterior .
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Oferta elevada pressiona preços no início de 2026
Apesar do bom desempenho produtivo e exportador, o mercado interno enfrenta pressão. O aumento da disponibilidade de carne no país — que chegou a cerca de 4,15 milhões de toneladas em 2025 — elevou a oferta em 2026.
Esse cenário tem impactado diretamente os preços pagos ao produtor. Levantamentos indicam queda significativa no valor do suíno vivo no início do ano, reflexo do desequilíbrio entre produção crescente e consumo doméstico ainda limitado .
A tendência é típica de ciclos de expansão: quando a produção cresce mais rápido que a demanda, os preços tendem a recuar, pressionando a rentabilidade do setor.
Quaresma reduz consumo de suína e adia recuperação
Outro fator que pesa sobre o mercado neste início de ano é a Quaresma. Durante esse período, há uma redução tradicional no consumo de carnes, especialmente em países de forte tradição católica como o Brasil.
A preferência por peixes e outras proteínas contribui para desacelerar ainda mais a demanda interna, ampliando o impacto da oferta elevada. A expectativa do setor é que, com o fim da Quaresma, haja retomada gradual do consumo, favorecendo a recuperação dos preços no segundo trimestre.
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Goiás amplia produção suína e acompanha tendência nacional
No cenário regional, Goiás vem se consolidando como importante polo da suinocultura, impulsionado pela proximidade com a produção de grãos, como milho e soja, base da alimentação animal. Regiões próximas a Goiânia concentram sistemas produtivos cada vez mais tecnificados.
O estado acompanha a tendência nacional de expansão, com integração entre produtores e agroindústrias, além de ganhos de escala e eficiência. A presença de áreas rurais extensas e logística favorável contribui para o crescimento da atividade.
Para 2026, as projeções indicam continuidade da expansão, com produção podendo chegar a cerca de 5,8 milhões de toneladas no país, além de aumento nas exportações e na disponibilidade interna .
Mesmo diante das oscilações de curto prazo, o setor mantém perspectiva positiva. A combinação entre demanda global aquecida, diversificação de mercados e eficiência produtiva sustenta a trajetória de crescimento da suinocultura brasileira.










