A escalada militar no Oriente Médio atingiu diretamente a produção de energia e provocou forte reação no mercado internacional. Nesta quinta-feira (19), o preço do petróleo disparou, após uma sequência de ataques que atingiram instalações estratégicas no Golfo Pérsico.
O avanço da guerra sobre o setor energético começou na quarta-feira (18), quando o campo de gás South Pars, no Irã, foi atingido por bombardeios israelenses. A área concentra a maior reserva de gás natural do mundo e é compartilhada com o Catar. Segundo informações divulgadas pela agência iraniana Fars, o ataque danificou tanques de armazenamento e partes de uma refinaria.
O governo do Catar classificou o ataque israelense como uma escalada “perigosa e irresponsável” que coloca em risco a segurança energética global.
South Pars, instalação atingida por ataques israelenses (Foto: Mehdikln/ Wikimedia Commons)
Ataque às instalações de Ras Laffan
A resposta do Teerã veio com ataques iranianos contra alvos estratégicos no Golfo. No Catar, o complexo de Ras Laffan sofreu danos classificados como extensos. A empresa QatarEnergy informou que uma das ações comprometeu cerca de 17% da capacidade de produção de gás natural liquefeito do país, com impacto estimado entre três e cinco anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington “não sabia de nada” sobre o ataque às instalações iranianas. Ele também declarou que “não haverá novos ataques israelenses relacionados a esse campo extremamente importante e valioso de South Pars, a menos que o Irã decida atacar inocentes, neste caso, o Catar”, e acrescentou que poderá destruir completamente a reserva em caso de nova ação de Teerã.
Após as declarações de Trump, o Irã voltou a atacar instalações no Catar, na madrugada desta quinta-feira. A QatarEnergy, comunicou que várias de suas instalações de gás natural liquefeito foram atingidas por ataques com mísseis, “causando incêndios de grandes proporções”.
Ainda, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a “resposta ao ataque de Israel à nossa infraestrutura empregou uma fração de nosso poder”. Segundo Araghchi, Teerã não terá “nenhuma restrição caso nossas infraestruturas sejam atingidas novamente”. “Qualquer fim para esta guerra deve abordar os danos causados às nossas instalações civis”, afirmou.
Ministro iraniano afirma que o país não vai se conter em caso de novos ataques (Foto: Reprodução/ @araghchi)
Líderes se preocupam com escalada do conflito
A reação internacional se intensificou ao longo do dia. Em reunião na Arábia Saudita, chanceleres de 12 países árabes e islâmicos condenaram os ataques iranianos a territórios vizinhos e defenderam a interrupção imediata das ofensivas. Em declaração conjunta, os governos criticaram o uso de mísseis e drones contra áreas civis e infraestrutura estratégica e cobraram respeito ao direito internacional.
Na Europa, líderes também manifestaram preocupação. O presidente francês Emmanuel Macron classificou a situação como uma “escalada imprudente” e afirmou que, caso as “capacidades de produção de energia do Oriente Médio sejam destruídas, esta guerra terá um impacto muito mais duradouro”.
A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, afirmou que os ataques iranianos ao Catar causam ainda mais instabilidade. “Está claro que precisamos de uma saída para esta guerra, não de mais escalada”, declarou.
Segurança no Estreito de Ormuz
Diante do agravamento do cenário, países europeus e o Japão afirmaram estar “prontos” para contribuir com esforços que garantam a segurança no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Em comunicado conjunto, os governos também indicaram que vão adotar medidas para estabilizar o mercado de energia, afetado pelos desdobramentos do conflito.










