A ideia de que o Entorno do Distrito Federal (DF) atualmente está mais politizado é compartilhada pelas próprias lideranças da região e gera expectativas em torno de interesses de políticos locais em relação a ocuparem o cargo de vice na chapa de Daniel Vilela (MDB). O emedebista, que é vice-governador de Goiás e pré-candidato ao Governo do Estado, tem feito visitas frequentes ao Entorno, assim como seus adversários, o senador bolsonarista Wilder Morais (PL) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
Com um eleitorado que chama a atenção de qualquer pré-candidato, a região possui lideranças políticas que admiram a gestão de Ronaldo Caiado (PSD) à frente do Executivo estadual. Interlocutores afirmam que tais políticos almejam alcançar algum cargo influente no governo caso Daniel saia vitorioso nas eleições estaduais.
Daniel Vilela durante agendas no Entorno – Créditos: Benedito Braga e Jota Eurípedes
Os interesses são relativos à possibilidade de ocuparem o cargo de vice na chapa de Daniel com a aprovação de Caiado ou na escolha de um nome do Entorno para assumir alguma secretaria relevante do Governo.
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Analistas políticos avaliam que, independente da escolha de algum político da região para ocupar chapa ou assumir um cargo estratégico em uma eventual gestão de Daniel como governador, o que se espera é que o Entorno seja reconhecido como um colégio eleitoral relevante e até decisivo no processo eleitoral.
Entorno na “mesa de decisão”
Em entrevista ao O HOJE, o prefeito de Valparaíso, Marcus Vinicius (MDB), comenta sobre a possibilidade de lideranças do Entorno terem mais espaço em um futuro governo. “Regiões estratégicas precisam estar na mesa de decisão. Daniel Vilela tem visto isso e creio que vamos romper essa barreira e o Entorno contará com um nome na chapa do nosso candidato”, ressalta o prefeito de Valparaíso ao declarar apoio ao vice de Caiado.
Marcus comenta sobre a importância do Entorno em vários âmbitos, como o político, econômico e administrativo. “O Entorno vive hoje um momento de ascensão histórica, política, econômica e administrativa. A segunda região com maior população do Estado finalmente entrou no debate político.”
Já Diego Sorgatto (UB), prefeito de Luziânia, comenta sobre a influência do Entorno nos resultados de eleições estaduais anteriores, como a última que reelegeu Caiado. “Estive com o governador agora e falamos muito sobre isso. Ele inclusive reconhece publicamente que a sua reeleição ao governo no primeiro turno foi graças a nossa região. Isso só demonstra o quão importante é o Entorno para o Estado e para a eleição”, diz Sorgatto em entrevista ao O HOJE.
Daniel e Caiado ao lado do prefeito Diego Sorgatto durante passagem por Luziânia, segundo maior colégio eleitoral do Entorno do DF – Créditos: Benedito Braga e Jota Eurípedes
Apoio à Daniel
Assim como o prefeito de Valparaíso, o de Luziânia demonstra apoio a Daniel e defende que o vice na chapa do emedebista possa ser um nome pertencente ao Entorno. “Eu sempre defendi publicamente que o vice do Daniel pudesse ser da nossa região. Eu acho que o Entorno tem condição de contribuir muito eleitoralmente, mas também na gestão. Temos importantes nomes que com certeza contam com o preparo e a confiança do Caiado e do Daniel para isso”, afirma Sorgatto.
Já o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé fala sobre os cuidados que devem ser considerados na escolha de nomes para ocupar funções de liderança em um governo. “É preciso considerar o perfil, se a liderança do Entorno consegue se projetar como uma força para além de seu local de atuação. Porque se essa atuação estiver restrita, talvez não seja o melhor caminho”, observa Zancopé.
Créditos: Hegon Corrêa
O analista político ressalta suas impressões sobre os critérios que podem ser adotados caso a escolha do vice de Daniel seja um político do Entorno. “Se essa liderança consegue buscar votos no Entorno e ao mesmo tempo representar outras regiões de Goiás, aí sim é algo interessante e deve ser levado em consideração. Eu não acho que a escolha do vice tenha que ser pelo critério geográfico, acho que tenha que ser feita pela combinação de elementos e por pesquisas, sobretudo qualitativas”, observa Zancopé. (Especial para O HOJE)










