O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou nesta terça-feira (10), em Brasília, autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para receber na prisão a visita do norte-americano Darren Beattie, assessor do governo Donald Trump responsável por políticas relacionadas ao Brasil. O pedido foi apresentado pela defesa do ex-mandatário, que cumpre pena em Brasília após condenação por tentativa de golpe de Estado.
No requerimento encaminhado ao Supremo, os advogados solicitam que o encontro com Beattie seja autorizado de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março. Normalmente, as visitas ao ex-chefe do Executivo ocorrem às quartas-feiras e aos sábados. No portal oficial do Departamento de Estado, o norte-americano é descrito como defensor da promoção da liberdade de expressão como instrumento de política diplomática.
Nomeado em fevereiro para atuar no Departamento de Estado dos Estados Unidos, Beattie é encarregado de formular e supervisionar iniciativas da política externa de Washington voltadas ao Brasil. Crítico da atuação do Judiciário brasileiro no caso envolvendo Bolsonaro, o assessor já classificou Moraes como “principal arquiteto da censura e da perseguição ao ex-presidente”.
A presença de Beattie no país está prevista para a próxima semana. Segundo fontes ligadas ao governo Trump, ele participará em São Paulo, no dia 18 de março, de um evento voltado à discussão sobre minerais críticos.
A visita ocorre em meio a debates em Washington sobre a possibilidade de classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha o tema e busca evitar que essa designação seja formalizada pelos Estados Unidos.
Bolsonaro está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão. Como relator das investigações sobre a trama golpista que resultaram na condenação do ex-presidente, Moraes também é responsável por autorizar ou negar visitas ao detento.










