Goiás alcançou um marco histórico na área da educação pública ao zerar o déficit de abastecimento e de oferta de água potável nas escolas da rede pública estadual. Os dados constam no Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação, e colocam o Estado entre as sete unidades da federação que eliminaram completamente o problema no último ano. O resultado consolida um avanço estrutural que impacta diretamente a saúde, a dignidade e o processo de aprendizagem de milhares de estudantes.
Além de garantir água potável em 100% das unidades, o Estado reduziu drasticamente o número de escolas sem serviço de esgotamento sanitário. Em 2024, eram 21 instituições nessa condição; agora, restam apenas duas. A melhoria é resultado de uma força-tarefa articulada e contínua, realizada em meio à mobilização nacional do projeto Sede de Aprender, iniciativa coordenada pelo Conselho Nacional do Ministério Público em parceria com órgãos de controle e fiscalização.
No cenário nacional, o Censo Escolar também registrou avanços importantes. O número de escolas públicas brasileiras sem abastecimento de água caiu 52% em apenas um ano, de 2.532 para 1.207 unidades. As instituições sem esgotamento sanitário diminuíram 20%, passando de 5.765 para 4.636. Já o total de escolas que não forneciam água potável caiu 7%, de 6.658 para 6.185. Ainda assim, os números revelam que o desafio permanece significativo em diversas regiões do País.
Em Goiás, o desempenho positivo reflete a atuação conjunta de diferentes órgãos, como o Ministério Público de Goiás, o Tribunal de Contas dos Municípios, o Ministério Público de Contas, o Ministério Público do Trabalho, além de entidades representativas da educação municipal. A integração institucional permitiu a identificação rápida de problemas estruturais e a adoção de medidas corretivas com maior eficiência.
Durante a Semana Nacional de Inspeções, realizada entre 2 e 6 de junho de 2025, equipes técnicas visitaram 38 escolas goianas, distribuídas em 21 municípios. As inspeções abrangeram 230 salas de aula e alcançaram 7.843 estudantes, incluindo 360 alunos com necessidades educacionais especiais. A atuação presencial foi decisiva para levantar dados concretos, verificar condições sanitárias e cobrar providências imediatas quando necessário.
Em âmbito nacional, as visitas revelaram entraves relevantes: 74% das escolas não possuíam certificado de potabilidade da água; 54% não contavam com coleta de esgoto; 17% não dispunham de água potável e 6,82% sequer tinham banheiro.
Também foram constatadas falhas como fornecimento irregular de água, ausência de reservatórios adequados e deficiência na limpeza periódica. Apesar desse quadro, nas unidades diretamente acompanhadas pelo projeto houve queda superior a 78% na inexistência de abastecimento.
Melhoria nas escolas impacta saúde e aprendizagem dos estudantes
Paralelamente aos avanços na infraestrutura, Goiás manteve, em 2025, uma tendência de queda na evasão escolar, registrando taxas de abandono inferiores à média nacional. O ensino médio, embora ainda concentre os maiores desafios, apresenta índices melhores que o cenário brasileiro, que registrou 5,9% de evasão em 2024, dado divulgado em 2025. No Estado, a evasão permanece mais concentrada no 1º e 2º anos do ensino médio e no 9º ano do ensino fundamental.
Entre os principais indicadores educacionais, destaca-se a distorção idade-série. Em 2025, 6,1% das crianças nos anos iniciais do ensino fundamental apresentavam atraso escolar de dois anos ou mais. A desigualdade racial também chama atenção: no início do ano, a distorção atingia 17,7% dos alunos negros no fundamental, contra 9,2% dos brancos; no ensino médio, o índice subia para 19,3% entre estudantes negros. Esses dados reforçam a necessidade de políticas específicas de equidade.
Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), houve retração nas matrículas, acompanhando a tendência nacional de queda de 5,8% em 2025. Especialistas apontam que parte desse encolhimento está relacionada à mudança demográfica, com redução no número de jovens, o que exige redirecionamento das políticas públicas para a melhoria da qualidade e ampliação do ensino técnico.
A taxa de escolarização de jovens de 15 a 17 anos em Goiás atingiu 92,8% em 2025, ligeiramente abaixo da média nacional de 93,4%. Para enfrentar os desafios, o governo estadual ampliou o programa Bolsa Estudo, estendendo o benefício a alunos de Agrocolégios, APAEs e escolas de famílias agrícolas. O auxílio mensal de R$ 111,92 exige frequência mínima de 75%, reforçando a permanência do estudante na sala de aula.
Ao reunir avanços na infraestrutura básica, políticas de permanência e monitoramento constante dos indicadores, Goiás demonstra que investimentos coordenados produzem resultados concretos. O acesso universal à água potável e ao saneamento, aliado a estratégias de combate à evasão e às desigualdades, representa um passo decisivo para consolidar uma educação pública mais justa, inclusiva e de qualidade.
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