O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (14) que o país não pretende romper com a Europa, mas deixou claro que o governo de Donald Trump quer reformular a aliança transatlântica. Em discurso na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, ele buscou tranquilizar aliados ao mesmo tempo em que reiterou críticas a decisões políticas europeias e defendeu mudanças na cooperação internacional.
Rubio declarou que o fim da parceria histórica não está nos planos de Washington. “Em um momento em que as manchetes anunciam o fim da era transatlântica, que fique claro para todos que este não é o nosso objetivo nem o nosso desejo, porque, para nós, americanos, nossa casa pode ser no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”, afirmou.
Apesar do tom conciliador, o secretário reforçou que os Estados Unidos consideram necessário rever os rumos adotados após o fim da Guerra Fria. Segundo Rubio, houve uma “ilusão perigosa” de que todas as nações seguiriam o modelo democrático liberal e abandonariam suas identidades nacionais. “Cometemos esses erros juntos e agora devemos enfrentá-los juntos e seguir adiante para reconstruir”, disse.
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A fala ocorre um ano após o vice-presidente JD Vance causar reação negativa no mesmo evento ao fazer críticas diretas aos valores europeus. Desde então, o governo Trump adotou medidas que geraram desconforto entre aliados, incluindo a ameaça — posteriormente retirada — de impor tarifas comerciais e a tentativa de ampliar o controle sobre a Groenlândia, território ligado à Dinamarca.
Na abertura do encontro, na sexta-feira (13), o chanceler alemão Friedrich Merz defendeu que Estados Unidos e Europa “reparem e revitalizem juntos a confiança transatlântica”. Ele argumentou que nem mesmo os Estados Unidos são fortes o suficiente para agir sozinhos em um cenário internacional em transformação, no qual a antiga ordem já não se sustenta como antes.
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Líderes reagem a discurso de Rubio
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a fala de Rubio como “muito tranquilizadora”, embora tenha observado que membros do governo americano adotam posições mais duras em determinados temas. Ela ressaltou que a União Europeia precisa ampliar sua independência, inclusive na área de defesa, e reforçar a soberania digital do bloco.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que a Europa não pode agir com complacência e que o Reino Unido deve estreitar novamente os laços com o continente para que a região “se sustente com as próprias pernas” na defesa. Já o ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, considerou “uma afirmação ousada” a declaração de que os Estados Unidos são “um filho da Europa”, acrescentando que ainda há trabalho a ser feito.
O discurso chamou atenção pela ausência de referências diretas à Otan e à Rússia, principais pilares e adversários estratégicos no continente. Ainda assim, Rubio afirmou que norte-americanos e europeus têm histórico comum de atuação. Ele lembrou que ambos “lutaram e morreram lado a lado” e defendeu a construção de uma nova fase de prosperidade conjunta.
O encontro também evidenciou disputas globais mais amplas. O chanceler da China, Wang Yi, afirmou que Pequim vê sinais positivos na postura de Trump em relação ao presidente Xi Jinping, mas criticou tentativas de conter o crescimento chinês. Segundo ele, há países que adotam uma “mentalidade de Guerra Fria” e estimulam o unilateralismo.










