O Brasil vive um momento de expansão do mercado voltado ao bem-estar e à vida saudável, e os números confirmam a tendência: segundo o Global Wellness Institute, o setor movimentou cerca de US$ 96 bilhões entre 2020 e 2022 -No equivalente a quase R$ 500 bilhões pela cotação atual – e coloca o país na 12ª posição no ranking mundial dessa economia, além de ser o maior mercado de bem-estar da América Latina.
Mais do que uma moda passageira, o setor faz parte de um movimento global que viu o mercado de bem-estar alcançar cerca de US$ 5,6 trilhões no mesmo período, com crescimento médio de 12% em todo o mundo.
O crescimento acompanha um paradoxo: em um país onde indicadores de estresse e pressão cotidiana figuram entre os mais altos do mundo, consumidores buscam cada vez mais alternativas para lidar com a rotina e com a saúde mental. Dados de pesquisas apontam que uma parte significativa da população brasileira relata sintomas de ansiedade e estresse no dia a dia, cenário que alimenta a demanda por práticas e produtos que prometem qualidade de vida.
As pessoas por trás da mudança: perfis e histórias
Para muitos brasileiros, a busca por bem-estar deixou de ser apenas um ideal e virou opção de vida ou mesmo modelo de trabalho. Esse é o caso de Giulia Nunes, modelo internacional natural de Sorocaba. Após anos atuando em passarelas e campanhas em diferentes países, Giulia decidiu mudar de rota: cansada da instabilidade da carreira artística, passou a dar aulas de yoga, combinando prática física, respiração e atenção plena – uma resposta pessoal ao ritmo intenso de trabalho.
Outro exemplo é Natália Santos, analista de gestão de riscos, que encontrou no bem-estar uma forma de resistência às pressões da vida corporativa. Em uma rotina marcada por demandas elevadas e prazos apertados, Natália incorporou práticas de atividade física e meditação como parte de sua estratégia para manter o equilíbrio entre produtividade e saúde mental.
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Essas trajetórias espelham uma realidade mais ampla: enquanto alguns transformam suas paixões em profissão, muitos brasileiros buscam no bem-estar um antídoto para as exigências do cotidiano.
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Setores que impulsionam a economia do bem-estar
O relatório do Global Wellness Institute detalha que o mercado de bem-estar no Brasil está fragmentado em diversos segmentos. Entre os principais, destacam-se:
Cuidados pessoais & beleza: cerca de US$ 39 bilhões, com crescimento anual de 27,2%, posicionando o país em 5º lugar globalmente nesse segmento.
Alimentação saudável, nutrição e perda de peso: US$ 31 bilhões, com crescimento de 16,9% e 6ª posição mundial, um dos setores mais promissores do mercado.
Atividade física: movimentou US$ 12 bilhões e cresceu 11,9%, ocupando a 15ª colocação global.
Bem-estar mental: US$ 2,7 bilhões e crescimento de 15%, o que reforça a demanda por serviços e produtos voltados ao equilíbrio emocional.
Outros segmentos como turismo de bem-estar, spas, medicina tradicional e complementar e bem-estar no local de trabalho também figuram no estudo, evidenciando a diversidade de oportunidades que surgem com esse movimento.
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Inovação local: negócios que surfam a onda do saudável
Empreendedores têm encontrado nichos para inovar e atender ao público que busca vida saudável. Em Sorocaba, Kelly Boscariol, dona de uma tradicional fábrica de biscoitos de polvilho, resolveu diversificar sua oferta e entrou no mercado de alimentação funcional com granolas artesanais. O cardápio, que começou com um único sabor, já reúne dez variedades, todas produzidas de forma artesanal e com ingredientes naturais.
“A ideia surgiu ao observar que clientes buscavam opções mais nutritivas e menos ultraprocessadas. Hoje, nosso desafio é ampliar presença e conquistar definitivamente o público ligado ao bem-estar”, diz Kelly.
Esse tipo de negócio reflete uma tendência de consumo mais consciente, que associa alimentação, estilo de vida e propósito. E essa busca não está restrita a produtos: serviços como aulas de yoga, personal training, consultorias de alimentação e terapias complementares estão em alta, integrando um ecossistema econômico cada vez mais robusto.








